segunda-feira, 11 de maio de 2026

Roubados e mal pagos

Ontem, acordei com um estado de espírito assim-assim, do tipo bandeira amarela: pode-se ir a banhos, mas não se pode nadar em águas profundas, só ao longo da costa. Depois de me levantar, tudo, mas mesmo tudo, constituiu exercícios de aquecimento para o jogo do Sporting da Final da UEFA Champions League em futsal: senti-me melhor, muito melhor com um iogurte recheado de aveia, de noz e de mirtilos ao pequeno-almoço; senti-me ainda melhor com um robalo grelhado ao almoço; continuei a ler com prazer “O Cerco de S. Bento em 1975. O Princípio do Fim da Revolução”, de Kathleen Gomes, durante o princípio da tarde [comprei o livro depois de assistir à conferência da autora com o José Pacheco Pereira no dia anterior, no MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea].   

Quando começou o jogo, estava bem-disposto, do tipo bandeira verde: pode-se ir a banhos sem restrições, nadando, nadando até que a voz nos doa. Foi um grande jogo, um jogo extraordinário do Sporting: rigor tático, controlo emocional, qualidade técnica e vontade, muita vontade de ganhar. É impressionante esta vontade, esta motivação do Nuno Dias e da sua equipa técnica e de muitos jogadores que [já] ganharam tudo [e um par de botas] e várias vezes, como o João Matos, o Alex Merlin, o Tomás Paçó, o Pauleta ou o Zicky Té. Depois de ver o João Matos levantar o caneco, o estado de espírito era de tal maneira [verde ou bandeira verde], que fui apanhado à traição, à má fila para uma ida às compras [da semana] ao Continente. 

Bem, mas esta postada não servia para isto, mas para recuperar os TPC [atrasados]. Não sei como é que vou recuperar todo o atraso, mas enquanto penso na melhor maneira, avio o TPC do jogo [do Sporting] contra o Porto, clube, das meias-finais da Taça de Portugal. 

Não vou falar do jogo [propriamente dito], pois foi há tanto tempo que nem me lembro bem do que se [não] passou ou passou ao lado. No entanto, se há coisas que não se esquecem, que nunca se esquecem são as reações [institucionais?] do Porto, clube, especialmente do seu médico, que está no banco sempre pronto para o que der e vier [na assistência aos pacientes, nos diagnósticos e terapêuticas mais inovadoras, para que não existam dúvidas ou mal-entendidos]. O Porto, clube, considera [e muito bem] que foi roubado, que o árbitro devia ter expulsado o Inácio aos cinco minutos. Trata-se de uma resposta [institucionalmente] correta ao Sporting e, em particular, ao Frederico Varandas após afirmarem que também foram roubados, que lhes roubaram as toalhas do guarda-redes. 

O Porto, clube, foi roubado, está dito e redito, ponto final. Onde é que para a polícia? Sim, onde é que para, quando mais dela precisamos? Sem polícia, resta a Justiça de Fafe. Munidos dos respetivos varapaus, os jogadores resolveram fazer justiça pelas próprias mãos [ou pés, melhor dizendo]. Para eles, os culpados não foram os árbitros, mas os jogadores do Sporting e assim procuraram fazer [e fizeram] a Justiça de Fafe, no Hjulmand, no Maxi Araújo, no Catamo [especialmente] ou no Luís Suaréz. Fizeram a justiça que puderam, nas canelas, nos artelhos, nos calcanhares, nos joelhos ou na carótida dos adversários, mas não fizeram a justiça toda, porque se esqueceram de que tinham perdido na primeira mão das meias-finais, em Alvalade. Foi uma pena este lapso, este pequeno detalhe, ainda para mais num país onde não se fala noutra coisa do que na reforma da justiça, na necessidade de Salazares, muito Salazares, ou de um Robin dos Bosques, pelo menos. 

4 comentários:

  1. Circularam na semana passada umas declarações do Diogo Travassos, gravadas em Moreira de Cónegos, onde ele falava da importância dos 2 empréstimos, que lhe permitiram evoluir e estar pronto para ganhar um lugar no plantel do Sporting do ano que vem.
    Pensei para mim mesmo que este era o caminho certo, estes empréstimos deviam ser feitos mais vezes, e deviam ter sido feitos para jogadores que acho que saíram prematuramente, como Mateus Fernandes, Afonso Moreira, Renato Veiga e outros.
    Acho que nem 2 dias passaram e já estava nas capas dos jornais a transferência do Zalazar, indicando o Diogo Travassos como moeda de troca nesse negócio.
    Bardamerda para o caminho certo.

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    1. Caro Vitor Hugo Vieira,

      Com a chegada do Rúben Amorim, a aposta na formação foi uma forma de resolver o problema da falta de dinheiro. Assim, se apostou no Gonçalo Inácio, no Quaresma, no Palhinha, no Nuno Mendes, no Matheus Nunes, no Jovane Cabral ou no Tiago Tomás. O Sporting transformou-se num novo-rico e, portanto, a formação deixou de contar. O Rui Borges também não me parece o treinador para fazer a aposta nessa formação, basta pensar no Mangas, no Kochorashvili ou no Faye. Para jogadores de segunda linha, para jogadores para compor plantel e não ser titulares indiscutíveis, a aposta na formação é fundamental ou, de outra forma, hão de acabar-se por se vender os anéis e os dedos.

      SL
      RM

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  2. O FCP roubado devia ser notícia de primeira página de todos os jornais desportivos e abrir todos os telejornais. Nunca visto
    O médico careca do Porto , não será antes o delegado ao jogo.?
    Com um árbitro na verdadeira acepcao do termo, metade do banco do Porto ia para a rua.
    Foram eliminados. Não vão estar no Jamor LOL

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    1. Meu caro,

      Como sempre costumo dizer, os movimentos de rotação e translação da terra mantém-se apesar destes chiliques do Porto ou do Benfica. Quem aterre em Portugal pode ficar a pensar o contrário tal a maluqueira instalada na futebolândia nacional.

      SL
      RM

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