quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Com o Bruno Fernandes assim ainda vou ter de ir de saia para o trabalho

Não me habituo a estar de férias. Nunca me habituei e dificilmente me vou habituar. O tédio invade-me o corpo todo até se alojar junto ao hipotálamo. Estou por tudo. Ontem, vi na SIC Radical a gravação do Flamengo contra o Atlético Goianiense do Brasileirão. Hoje era diferente, apesar de continuar entediado. Só que, como sou do Sporting, não precisava de arranjar desculpas para me convencer a ficar pespegado à frente da televisão durante duas horas a ver o jogo contra o Steaua de Bucareste.

Começámos bem. Instalámo-nos no meio-campo do adversário e empurrámo-lo para trás. Ainda só tínhamos começado a fazer cócegas na defesa quando marcámos o primeiro golo. Lance estudado, bola mandada para a molhada, o Mathieu ganha de cabeça, o Acuña antecipa-se ao corte de um adversário e o Doumbia mete-a lá dentro com o pé que tinha mais à mão. Estes são os golos que mais aprecio. Nenhum jogador dá o lance por perdido, cada um faz um pouco mais do que pode e depois, por um pelinho, a bola encontra o jogador certo.

Segundo o Jorge Jesus, depois do jogo contra ao Guimarães, a equipa estava morta. Para evitar a apoplexia de algum jogador, começou-se a trocar a bola a passo. Até que o Piccini tem um daqueles momentos em que de tanto hesitar acaba por se lhe parar o cérebro. Perde a bola e tudo o que nos pode correr mal corre-nos mal e tudo o que lhes podia correr bem corre-lhes bem. A bola acaba na nossa baliza após tabelar num ex-jogador do Freamunde. Começava a preparar-se uma daquelas peças dramáticas a que estamos habituados e que costumam acabar com um golo do Polga na própria baliza ou assim. Até imaginei o dois a um no último minuto com um remate do Alibec e um frango do Patrício.

No início da segunda parte, a peça continuou a ser bem encenada. Finalmente, o Steaua de Bucareste começava a parecer equipa para o Sporting, como o Jorge Jesus tinha dito. Sabendo disso, meteu o nosso habitual ator principal. Entrando o Bas Dost o resto da malta começou a pensar novamente em golos. Foram mais quatro, todos como uma repetição do episódio anterior: “qualquer coisa antes que ninguém se lembra, bola no Bruno Fernandes e … espera lá … golo!”. No dois a um, o Acuña ainda entrou em pânico quando se viu isolado e de frente para o guarda-redes, mas, depois do ressalto, centrou para a baliza e fez golo. O quarto golo foi de manual. O Bas Dost fez de assassino silencioso para, nas costas do defesa e de primeira, meter a bola junto ao segundo poste, servido por um passe absolutamente genial do Gelson Martins. No quinto, ficámos todos imaginar como é que teria sido o lance se em vez do Coentrão por ali ainda andasse o Zeegelaar ou o Jéfferson.

A nossa desgraça, na época passada, começou exatamente com a fase de grupos da Liga dos Campeões. Espero que tenhamos aprendido alguma coisa. Com menos conversa do Jorge Jesus, com mais Bruno Fernandes, Bas Dost, Mathieu, Coentrão e muitos outros e com a ajuda da bola e do vídeo-árbitro, talvez ainda tenha de ir de saia para o trabalho e, contrariamente ao treinador do Dínamo de Bucareste, com muito gosto.

8 comentários:

  1. Genial. O Rui é o Bruno Fernandes da blogosfera! Parabéns.

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    1. Obrigado. Vejo-me mais como um Acuña atrapalhado.

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  2. Viva, subscrevo que o Rui Monteiro é o Bruno Fernandes da blogosfera! ...e também que é difícil estar de férias, mas o pior é que quando estas acabam ficamos sempre saudosos desses tempos e a pensar, que o para o ano é que é.
    Quanto ao Sporting, talvez seja já este ano, se a malta continuar motivada e se não for o Jorge Jesus a embirrar onde se espeta o chapéu de praia.

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    1. Meu caro,

      Repito "desde que o Jorge Jesus não embirre com o local onde se espeta o chapéu de praia". Ontem, já estava na fase de não se calar. Aliás, está sempre na fase de não se calar.

      SL

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  3. "o Acuña ainda entrou em pânico quando se viu isolado e de frente para o guarda-redes, mas, depois do ressalto, centrou para a baliza e fez golo."

    eheheheh...

    grande abraço (numa grande vitória)!

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    1. Caro Cantinho,

      O ar de pânico do Acuña merecia uma fotografia. Num primeiro momento só se queria ver livre da bola. Ganhou o ressalto e, depois disso, o cérebro voltou a funcionar. Deve ter imaginado que a baliza era o Bas Dost para não se assustar outra vez.

      Um abraço

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  4. Caro Rui,

    Em vez das faixas, encomendávamos as saias.
    Seria por uma boa causa, sem dúvida...

    Abraço

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    1. Caro Gabriel,

      Isso é que seria um grande movimento. Em vez das faixas, encomendávamos as saias de campeões e combinávamos com a malta do Celtic.

      Um abraço

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