Três jogos oficiais, três gamanços, três vitórias. É difícil acontecer-nos pior. É difícil conseguir melhor. Os resultados escondem o que nos vem acontecendo. Nem sempre assim será. Vamos ater-nos ao jogo contra o Tondela. Em melhor oportunidade, regressaremos ao tema e aos restantes jogos.
O golo do Tondela envolve quatro potenciais decisões de arbitragem. Todas as decisões penalizaram o Sporting.
O golo começa num livre mais do que duvidoso. O Naldo protege bola, tem-na sempre controlada, está sempre com ela junto aos pés, o adversário toca na bola, mas em nenhum momento fica com ela. Depois do toque na bola, ao Naldo bastou-lhe rodar para continuar a controlá-la, tanto mais que o adversário o tinha contornado em sentido contrário para a disputar. Os dois jogadores estão agarrados. O árbitro decidiu que o agarranço do Naldo era melhor do que o do adversário.
Livre marcado e golo do Tondela. Antes da bola entrar, há um jogador do Tondela que a toca para frente, deixando em fora-de-jogo o seu colega que iria marcar o golo. O árbitro não marcou falta. O marcador do golo domina a bola com a mão e empurra-a para a baliza. O árbitro não marcou falta e não mostrou o consequente amarelo.
Em quatro decisões potenciais, duas têm relação direta com o golo (fora de jogo e domínio da bola com a mão). Uma tem relação indireta com o golo (falta do Naldo). Outra não tem qualquer relação com o golo (eventual amarelo).
O golo marcado pelo Sporting é antecedido de um lançamento de linha lateral. O João Pereira ao fazê-lo coloca o pé de apoio para lá da linha lateral. A bola vai para a área e é disputada de cabeça por vários jogadores. Ganha um jogador do Tondela, ressaltando a bola para dentro da área. Dois jogadores – um do Tondela e outro do Sporting – disputam a bola. O jogador do Sporting chega primeiro e o jogador do Tondela faz falta. A bola é colocada na marca de penalty, o Adrien corre para ela, remata e faz golo.
O erro do árbitro tem uma relação muito indireta com o golo. O lançamento de linha lateral não dá origem ao golo. Dá origem a um corte da defesa do Tondela. Depois desse corte, ainda há uma disputa de bola. Essa disputa de bola dá origem a um penalty claro. O penalty teve de ser marcado e só depois é que foi golo.
É verdade que todos os acontecimentos no universo estão relacionados. O bater de asas de uma borboleta no Japão pode dar origem a um terramoto nos Estados Unidos. Mas o João Pereira não tem ar de borboleta (apesar de ter parecido uma libelinha quando apanhou com o Usain Bolt do CSKA) e os resultados no futebol não se medem com recurso à escala de Richter ou de Mercalli.
Equiparar os erros do árbitro num e noutro golo é intelectualmente desonesto. Os lances só seriam equiparáveis se o João Pereira tivesse efetuado o lançamento lateral diretamente para a baliza e a bola, sem tocar em ninguém, tivesse entrado. Aliás, estamos disponíveis para trocar trezentos e cinquenta e oito lançamentos de linha lateral iguais ao do João Pereira por um golo por jogo com a mão. Se nos permitirem essa troca, ainda dispensamos o fora-de-jogo.