terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Lobo e a apostazinha



Não que eu ande especialmente nervoso mas hoje, preso nos engarrafamentos da província (sim também cá temos disso mas sem direito a informação rádio ou a pomposo helicóptero), dei por mim a ouvir na TSF aqueles especialistas em futebol e, pasme-se, serenei ainda mais.
Entre aqueles especialistas em futebol pontifica o Sr. Freitas Lobo, o que por si só já justificaria uma outra sintonização radiofónica mas, como estavam a poetizar sobre a seleção, pareceu-me inócuo e deixei-me ficar a ouvir as rimas e ajuizar sobre as métricas. 
Todo o discurso do Sr. Lobo (de vozinha sofrida, hesitante e mansa, quiçá a querer disfarçar de cordeiro) é hermenêutica do futebol, aquilo não é falar de futebol, é um teoria redonda e opaca, uma interpretação, muito subjetiva do Sr. Lobo, sobre o que é futebol. Freitas Lobo reproduz avidamente o discurso dominante que, tal como defendia Michel Foucault, não está comprometido com uma verdade absoluta e universal. Neste tipo de discurso é o próprio discurso  que produz a verdade, tornando-a assim arbitrária. Este discurso dominante, legitima um determinado ponto de vista e marginaliza outros, num processo a que Michel Foucault chama de partilha da verdade.
Naqueles breves instantes o Sr. Lobo partilhou comigo duas verdades que me sossegaram mesmo que, como é costume daquele oráculo da bola, não tenha apresentado argumentos válidos, absolutos e universais mas apenas suspiros, gemidos e ...verdades absolutas. Primeira partilha da verdade: a Suécia não é assim tão forte como dizem, logo Portugal tem todas as possibilidades de passar o play-off. Segunda partilha da verdade: no jogo do Dragão quem tem tudo a perder é o Sporting. Se a primeira premissa me basta assim, durmo descansado até novembro, já a segunda me obriga a tomar medidas. Vou telefonar de imediato ao meu broker de apostas online para duplicar a minha aposta na vitória do Sporting pois uma coisa eu sei e quero aqui partilhar a minha verdade: o Lobo não acerta duas seguidas.

8 comentários:

  1. Muito bom post. E já agora, diga-me se o Sr. Lobo acerta sequer uma vez na vida! É um optimista em relação a isso.

    Força para o Sporting!
    SL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tem razão, provavelmente nem uma acerta.
      Obrigado
      SL

      Eliminar
  2. Gostei do seu texto e, sobretudo, do remate final. Foi o que se chama um "golo de bandeira".

    Pobre Lobo, que se estivesse na fábula era comido pelo Chapéuzinho Vermelho. Assim, só é comido por um Pinto!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De facto este lobo nasceu para ser comido e dar cabo das fábulas tradicionais.
      SL

      Eliminar
  3. É por estes posts que eu venho cá todos os dias :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado, continue a vir e "traga um amigo também".
      SL

      Eliminar
  4. Meu caro,

    Preciso de saber onde fala o Lobo. Desde que deixou de escrever no Expresso perdi-lhe o rasto. Perdi uma das minha principais fontes de inspiração.

    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro amigo
      O Lobo só não coloca em risco o historial anedótico do Gabriel Alves porque, ao contrário do Gabriel que se perdia nos factos históricos, culturais e físicos, optou pelo discurso filosófico metafisico. Mas é pena ver que quem sonhou ser um comentador ao estilo do Valdano, acabe num registo mais ao estilo do cozinheiro sueco dos Marretas.
      A não perder, às segundas (pelo menos), ao fim do dia na TSF.
      Ab

      Eliminar