domingo, 23 de outubro de 2011

Ronaldo também Messi…

Adoro ver bom futebol. Por isso, desde os 18 anos que, sempre que tenho possibilidade, gosto de ver jogos do campeonato espanhol. Por isso, é um prazer ver jogar Ronaldo. Por isso, é um prazer ver jogar Messi. Para mim, Ronaldo e Messi são, neste momento, a grande distância, os melhores do mundo.

Qual deles é o melhor? As opiniões dividem-se e a discussão apaixona os adeptos mais fervorosos. O meu filhote diz que é o Messi, o mágico do futebol “play station”. O meu irmão diz que é o Ronaldo, o atleta perfeito. Mas ambos também adoram ver jogar o seu principal rival.
Em Portugal, a generalidade da comunicação social tem um gostinho especial por, mais do que mitificar a genialidade de Messi, procurar, implícita ou mesmo explicitamente, secundarizar a genialidade de Ronaldo. É certo que Ronaldo nem sempre tem estado no seu melhor na selecção nacional. Mas também é certo que Messi também não parece o mesmo quando actua pela selecção argentina. Quando Messi está melhor que Ronaldo num fim-de-semana, o amesquinhamento do madeirense por parte dos media portugueses é garantido. Quando, pelo contrário, Ronaldo está melhor que Messi, como neste ou noutros fins-de-semana, o principal mérito é dado ao seu treinador (em Manchester, a Ferguson e, agora, em Madrid, a José Mourinho).
Todas as opiniões são legítimas, mas se Ronaldo tivesse sido formado no Benfica e não no Sporting, como seria tratado o madeirense pela comunicação social portuguesa? Alguém se atreveria a colocar Ronaldo num segundo plano face a Messi? Ou, pelo contrário, seria considerado unanimemente como o melhor futebolista português de sempre? Ou até, no caso dos fervorosos cronistas d' "A Bola", não teria já sido eleito Ronaldo como o melhor futebolista mundial de todos os tempos, logo à frente de Eusébio e de… Rui Costa?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Jogar contra o destino

Decidi chegar a casa mais cedo para ver o jogo contra o Vaslui. Mesmo assim, não cheguei tão cedo quanto queria. Perdi os primeiros vinte e cinco minutos do jogo. Não conheço a minha casa durante a semana àquela hora. Senti-me verdadeiramente em casa e mais em casa me senti quando comecei a ver jogar o Sporting.

O futebol tem no Sporting desta época também um porto seguro, como a bola nos pés do Matias. Cada passe, finta, simulação ou remate vai assinado. Retenho várias imagens: a parábola de livre, a trivela do golo, a arrancada e o passe para o golo do Evaldo.

Depois temos o Capel. Não via um jogador tão entusiasmante há muito. Não sei a que atribua maior mérito no segundo golo, se à arrancada imparável do Capel, ao túnel do Carrillo ou à trivela do Matias. Qualquer um das jogadas é notável. Juntas são um monumento.

Sabemos jogar com dez. Sabemos jogar contra dez. Falta saber, no fim, se somos capazes de jogar contra o destino.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Notícia do DN

Num dos meus mais brilhantes momentos de Sportinguismo desloquei-me a Madrid para assistir a um Atlético de Madrid - Sporting.

Apesar do resultado de 0-0 foi um dia especial ... Estavam mais de 5.000 adeptos leoninos e a oportunidade de fazer o caminho da Plaza Mayor ao Vicente Calderon entre esse milhares de Sportinguistas foi um momento especial.

Pelo caminho para além de vários hinos ao nosso Clube e piropos às espanholas que viam a multidão a passar... um hino ecoava com especial emoção entre os adeptos:

[ ohhhhh ... eu vi o simão ... no sexyhot ... no sexyhot .... a levar no pacote ... ]

Ontem ao ler o Diário de Notícias fui informado de negociações com vista ao regresso a Alvalade desse pulha, desse cretino que dá pelo nome de Simão Sabrosa.

Eu serei do Sporting até morrer e com ou sem Subsidio de Natal continuarei a ser sócio do Grande Sporting. Mas se possível poupem-me a merdas destas.

Saudações Leoninas,

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Para onde vão tantos pontos?

Contra o Olhanense, ficámos sem dois pontos. Ficámos a saber que o fiscal-de-linha desse jogo [José Cardinal] viu a sua classificação reduzida em 1,1 pontos. Ficámos a saber que o observador desse jogo [Albano Fialho] vai ser penalizado em três pontos também. No total, foram 6,1 pontos [à vida]. Para onde foram estes 6,1 pontos? Os do Sporting, sabemos para onde foram: diretamente para o Benfica e para o Porto. E os 4,1 que sobram? Vão-nos devolver alguns?

sábado, 15 de outubro de 2011

Quando é que voltam os jogos a sério?

Andámos não sei quanto tempo sem bola para a selecção preparar o apuramento; ainda para mais para fazer o lindo serviço que se viu contra a Dinamarca. Agora, enfiam-nos com a festa do povo, e vá de fazer um jogo treino a Famalicão. Um aborrecimento de todo o tamanho.

Ficámos a saber que o Wolfswinkel também marca golos de penalty e de cabeça. Já suspeitávamos, mas é sempre bom ter a certeza. O Pererinha fez um centro para golo. Apetece dizer que quem faz um centro faz um cento (o trocadilho está ao nível do jogo) e, portanto, ainda vamos a tempo de reinventar o homem.

Com o Evaldo a central, a outra equipa, jogue com quem jogar (com onze, dez ou nove), transforma-se numa Barcelona em potência. Essa opção pode não ser má se se pretender, como hoje, confirmar que o Marcelo Boeck é um excelente guarda-redes. Mas estando a prova feita, não acredito que o Domingos a pretenda repetir.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ai a Tola, Queiroz!

-  “Comigo à frente da Selecção, a qualificação teria sido absolutamente natural, normal, consistente, e estaríamos agora na fase final do Euro.”, O Professor

Salvo demonstração em contrário, em vez da grandiosa epopeia que julga ter estado em condições de realizar, o Professor pode é estar a bater com os punhos contra as grades da janela do asilo "Casa do Futebol", garantindo chamar-se Alex Ferguson e pedindo para ser tratado apenas por Sir, para deleite inocente de muitos espectadores desprevenidos (adaptada do Dicionário do Diabo, de Ambrose Bierce).

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quem quer ter uma selecção que a pague

Não se podia pedir mais. Se outro mérito não teve o Paulo Bento, teve seguramente o de demonstrar que o Queiroz é um fiasco, a quem ainda tivesse dúvidas. Este regresso de uma certa sanidade ao futebol português vale por si só e é muito valioso. Não parece é que possa dar para muito mais do que deu: ganhar à Islândia, ao Chipre e à Noruega e perder com a Dinamarca. Vamos ver se ainda chegamos à fase final, mas, mesmo que lá cheguemos, uma seleção assim não costuma ir muito longe.

A partir de agora, as coisas tendem a piorar. Andamos à caça dos Eliseus e a reciclar o Postiga e o Nuno Gomes e isto diz tudo ou quase tudo. Peçam ao Pinto da Costa, ao Filipe Vieira, ao Jorge Mendes, ao Vitor Pereira, ao Duarte Gomes e a outros que tais que formem os futuros jogadores da seleção. Nós, sportinguistas, estamos um pouco fartos de dar para este peditório da seleção e de ainda sermos gozados. Se a Federação, os portistas ou os benfiquistas querem ter uma seleção competitiva, façam o favor de a pagar.

Sabemos que Freitas Lobo prefere o “pilar” Rolando ou mesmo…

… Um “avançado elegante” como Milan Purovic, ”com grande capacidade atlética e um remate potente e colocado, com o pé direito. Busca espaços, fora ou dentro da área, escapa aos seus marcadores, e remata muito bem. Não é muito veloz mas, agressivo, movimenta-se com grande inteligência. Destaca-se também a cabecear. Pode jogar sozinho no ataque ou com outro avançado a seu lado (fez dupla com Zigic). O seu futebol cresce quando se aproxima da área” (Freitas Lobo).
Purovic, confirmou-se, era, de facto, tão elegante como um Fred Astaire. Tão agressivo e inteligente como o Professor Marcelo. Tão ladino a escapar aos adversários como o Vale e Azevedo.
Nós não temos o sentido visionário de Freitas Lobo. Talvez por isso preferimos, em vez da elegância destes pilares, a nossa mal-ajambrada torre americana. Se hoje conseguimos ver mais longe, foi por estarmos sobre os ombros deste gigante.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

(En)rolando

Excelente jogo de Portugal contra a Islândia em hóquei em patins. Numa abordagem impressionista ao jogo, ficam duas ou três imagens.

O Postiga completamente à vontade e em excelentes condições para rematar à baliza a atirar-se para o chão e a marcar um golo com a canela. À falta de taco, uma carambola daquelas só se consegue dando o efeito devido à bola com a canela. Só o Postiga e o Jorge Theriaga estão em condições de dar esse efeito.

O Rolando a fazer um penalty digno de um júnior. O Rolando faz boas duplas mas não com o Bruno Alves. Faz boas duplas com o Olegário, o Soares Dias e por aí fora. Não podendo contar com eles, talvez não fosse má ideia o Paulo Bento convocar o Tonel.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Reforços de S. Martinho

Com a saída do Luís Aguiar e a operação do Izmailov não podemos esperar pela abertura do mercado de Inverno. Vai ter que ser mesmo pelo S. Martinho.

Entram o Carlos Trindade Gomes e o Rui Almeida, sportinguistas de velha têmpera de Viseu (como sabem, o Distrito onde, em termos relativos, se fazem mais e melhores sportinguistas). São, sobretudo, velhos amigos. Daqueles que contam, quando só temos os dedos para os contar.

O Árbitro Incorruptivel

E sem dúvida aquele árbitro era incorruptível. Chamou à parte o Presidente de um clube e disse - Ontem à noite recebi os quinhentinhos com que o Senhor me pretende subornar. Como o seu colega do clube adversário já me tinha enviado uma milena, eu sugiro que o Senhor me dê mais quinhentinhos para que eu possa arbitrar o jogo com absoluta imparcialidade.
PS - Adaptado de “Pílulas” de Millor Fernandes
NB - Os valores em causa têm já em consideração os cortes salariais do próximo PEC.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O anti-Lexotan

O futebol e o Sporting são o melhor Lexotan que conheço. Quando a bola começa a rolar tudo se esquece; os problemas, por mais graves que sejam, passam para outro plano; quando há bola só há bola.

Com o Bruno Paixão e outros, o futebol torna-se num exercício de irritação. Só que para nos irritarmos já temos coisas na vida que cheguem. Mesmo depois da vitória permanece a irritação. Não é para isto que serve, seguramente, o futebol.

domingo, 2 de outubro de 2011

Os adeptos têm a palavra

Acordei mal disposto. Este Verão de S. Martinho, com mais de trinta graus em Braga, deixa qualquer um zonzo. Interpretei esta disposição como maus augúrios. Se não gostasse da minha gata, ainda lhe revolvia as entranhas para os confirmar.

Ainda pensei que os augúrios não tinham razão de ser quando o Capel marcou, logo a abrir, o primeiro golo. Gostei particularmente de ver o central do Guimarães tão preocupado com a desmarcação do Wolfswinkel que nem deu conta que o Capel estava isolado.

Mas o Bruno Paixão estava em campo e, por isso, os augúrios tinham razão de ser. Aos vinte minutos, estávamos a jogar com dez. Até ao final da primeira parte não se notou. Ainda fomos nós a criar as melhores oportunidades. Na segunda parte resolvemos dar um massacre defensivo ao Guimarães. Cheguei a ter pena deles: nem uma oportunidade de golo para amostra.

Não sei o que se pode dizer mais. Assim as coisas não podem continuar. Como não sou adepto de qualquer tipo de violência e a justiça desportiva não funciona, resta-nos recorrer aos tribunais civis. O Sporting não o pode fazer, mas os seus adeptos podem. O Abrantes Mendes levantou essa hipótese durante a campanha. Vale a pena pensar nela.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Voltei a "sofrer" pelo Sporting

Podem estranhar o título que resolvi dar a este post, mas a verdade é que esta 5ª feira voltei a "sofrer" pelo grande Sporting. Claro que nos últimos anos tenho sofrido e muito com o Sporting, mas ontem "sofri" pelo Sporting.

Voltei a sentir aquele nervoso, a cada lance parecia que ia rebentar com os nervos. Voltei anos atrás e lembrei-me dos dias em que fugia de casa para ir à bola. Lembrei-me da excitação dos dias que antecipam os jogos, do apito inicial que não chega ... de ver passar os minutos imaginando as grandes jogadas, e os golos que me enchiam a alma!

O Sporting está de volta... e a minha alegria pelo futebol também.

P.S. Depois de um primeiro teste em 10 contra 11 durante 40 minutos, seguem-se 90 minutos de 11 contra 14 este Domingo. Vamos ver se o "chefe da fruta e do café com leite" nos dá descanso.

Preparação para o jogo contra o Bruno Paixão

Nem a pedido se arranjava um treino melhor para preparação do próximo jogo contra o Bruno Paixão. Bem andou o treinador da Lazio quando substituiu o central que há muito devia estar na rua. Não o substituiu para o poupar ao vermelho. Isso nunca iria acontecer, fizesse o que fizesse. Substituiu-o para poupar o árbitro a tanta falta de vergonha, pois é um árbitro que lhes pode fazer muita falta no futuro.

À equipa e aos jogadores não se pode apontar nada. Não somos a melhor equipa do Mundo. Os jogadores não são os melhores do Mundo. Agora querem - e querem muito - marcar golos e ganhar jogos. E isso é claro para todos, principalmente para os adversários. Eles querem isso, nós queremos o que eles querem e eles sabem que nós sabemos que querem isso. Depois é um estádio em festa.

Podia falar de qualquer um dos jogadores. Apetece-me falar do Capel, até porque os comentadores não falam dele como devem. Quando recebe a bola e se vira para o defesa é como se lhe perguntasse para que lado quer ser passado. Se se encosta para o lado de fora, passa-o pelo lado de dentro. Se dá mais o lado de fora, é mesmo por ali que o passa. Nem sempre decide bem, mas nunca perde a bola e, na pior das hipóteses, arranca uma falta. Os defesas direitos das outras equipas quando entram já sabem que é para sofrer.

O Domingos disse que só uma grande equipa ganhava à Lazio. Nós somos uma grande equipa, então. Mas só uma verdadeira equipa é que ganha nas condições em que hoje o Sporting ganhou. Não estamos só a jogar bem. Estamos a ganhar uma verdadeira equipa. Só uma verdadeira equipa é que ganha títulos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Há pessoas que não devem ser contrariadas

Nada me descansa mais do que ir ao Flávio ao fim do jantar ler a imprensa diária. Leio sempre o Diário do Minho e o Correio do Minho. Afinal, sempre vivo em Braga, embora ainda me custe a acreditar. Quando estou muito cansado, às vezes, também leio “A Bola”. Ontem foi um dia desses.

Sousa Tavares afirma que o Sporting ganhou ao Paços de Ferreira, ao Zurique, ao Rio Ave e ao Setúbal por sorte. Sendo assim, pergunta-se, legitimamente (segundo ele), o que acontecerá ao Sporting quando deixar de ter sorte. Há pessoas que em certas circunstâncias não devem ser contrariadas. Ainda hoje a minha mãe afirma que sempre fui muito estudioso. Nunca lhe disse a verdade, para ela não me ver com os olhos que nunca me viu. É melhor assim, para os dois.

Cruz dos Santos também é daqueles que não devem ser contrariados. Afirma que o Cardozo viu bem o amarelo porque “esperneou, tal como o Fucile”. Espernear é um verbo a que não recorro muito, mas vou ter que o usar mais vezes. Pelos vistos, as tecnicidades do futebol assim o obrigam.

Fui ao dicionário ler o seu significado. Significa o mesmo que “agitar muito as pernas” ou “pernear”. De “pernear” é que não me lembrava de todo. Continuei a pesquisa no dicionário. Pernear é o mesmo que “mover violentamente as pernas, saltar ou dar pulos”. Assim, o Cardozo “agitou muito as pernas”, “moveu violentamente as pernas”, “saltou” ou “pulou”. Como “agitar muito as pernas”, “saltar” ou pular” não são motivo de falta, então, o Cruz dos Santos considera que o Cardozo “moveu violentamente as pernas”. Ora, foi mais ou menos isso que vi também. Não percebo é porque conclui pelo amarelo.

A situação do Fucile é mais intrigante. O que vi foi o Fucile a levar as mãos à cabeça. Quanto muito, poderá ter esbracejado; esperneado é que não.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Shock and awe

Há coisas que parecem estar a mudar. Não sabemos se, globalmente, essa mudança se confirma e se, mesmo confirmando-se, chega para as nossas ambições esta época. Mas esperemos que, pelo menos, a táctica do “shock and awe” dos primeiros quinze minutos da primeira e da segunda partes do jogo contra o Setúbal se repita.

domingo, 25 de setembro de 2011

O Leão e o Choco (*)

Estava um Leão a saciar a sua sede nas margens do Tejo quando um Choco, afastando-se do seu estuário natural do Sado, se aproximou pela beira da água e, passando ostensivamente pelo Leão, colocou-se numa zona mais abaixo.
- Chamo a tua atenção para o facto – disse o Choco – de não ser normal a água correr para montante. Assim, estando eu onde estou, não poderei contaminar a água que estás a beber. Não tens, pois, o menor pretexto para me atacares.
- Não fazia a menor ideia – respondeu o Leão – de que precisava de um pretexto para gostar de filetes de choco frito.
Foi o fim do pequeno lógico.
(*) Adaptada de “O Lobo e o Cordeiro” de Ambrose Bierce

sábado, 24 de setembro de 2011

O Céu deve ser uma coisa assim

Uma “Vale do Rico Homem”, Reserva 2007, cigarros na dose certa, entusiasmo transbordante e três bolas lá dentro. O Céu, se existir, deve ser uma coisa assim.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O ridículo pode matar (as pessoas erradas)

Comecemos pelos factos. Na última época, o Rui Patrício foi, a léguas de distâncias, o melhor jogador do Sporting. Na época passada, o Rui Patrício foi o melhor guarda-redes do campeonato. O Rui Patrício é o melhor guarda-redes português. Este ano, o Rui Patrício tem responsabilidade num só golo sofrido, não tendo, porém, responsabilidades em nenhum ponto perdido. Este ano, o Rui Patrício defendeu remates que, com qualquer outro, seriam golos. Fez a melhor defesa até ao momento do campeonato (defesa a um remate de cabeça no jogo contra o Marítimo).

No jogo com o Rio Ave as coisas não correram bem. Provavelmente, tem tudo que ver com os livres indirectos. Que os adversários e os comentadores de camisola vestida e bandeirinha, venham atribuir responsabilidades ao Rui Patrício é uma coisa. Outra bem diferente é que o próprio treinador as venha fazer em público. Nenhum líder de uma organização que se preze, seja no futebol seja noutra actividade qualquer, faz críticas públicas a quem faz o seu trabalho. Ainda para mais quando as críticas são injustas. Em Paços de Ferreira as coisas foram vergonhosas. Foram tão vergonhosas que as críticas foram efectuadas nos seguintes termos: o árbitro errou, mas o Rui Patrício errou também, porque não intuiu que o árbitro ia errar. O ridículo devia matar as pessoas certas; pelos vistos mata as erradas.

Quando se está a um certo nível, como o Rui Patrício está (podendo evoluir ainda mais; coisa que a maior parte dos guarda-redes deste nível, face à idade, já não pode), a diferença não está nos frangos. Está na sorte de dar os frangos certos, isto é, os frangos que não influenciam o resultado final.


Comparando com os guarda-redes dos nossos rivais na época actual, o Rui Patrício não fica atrás de nenhum deles. O Artur deu um frango contra o Guimarães absolutamente monumental. Foi mais ou menos como o do Rui Patrício só que a bola ia bem mais devagar e foi rematada a muito maior distância da baliza. Quanto ao Helton, lembrem-se, sem se rebolarem pelo chão à gargalhada, do golo do Shakhtar Donetsk.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O eterno “Peter Pan”

O Pereirinha entra para atacar, mas também para defender. Outras vezes, entra para defender, mas também para atacar. Pede-se-lhe que transporte a bola, mas que efectue tabelas em progressão com o João Pereira também. Pede-se-lhe que combine com o João Pereira, mas que também transporte a bola. Joga junto à lateral, mas também deve mover-se para posições mais interiores. Joga em posições mais interiores, mas também deve deslocar-se para as laterais.

Como se lhe pede tudo e nada ao mesmo tempo, o resultado é coisa nenhuma. Talvez lhe devam ser pedidas coisas muito concretas.

Se é para jogar a atacar, então, os resultados devem ser medidos pelo que faz no ataque, como: centros, contra-ataques, desmarcações dos avançados e remates que dão golos. A participação nos golos é a única e objectiva medida da eficácia de quem joga no ataque.

Se é para jogar a defender, então, tiram o João Pereira e põem-no lá a ele. Aliás, já fez esse lugar e deu boa conta dele.

De outra forma, nem a avô morre nem a malta almoça. Nem convence nem evolui. Resta-lhe a cara de bom menino que tem. Nós, os mais velhos, gostamos de miúdos assim. Fazem-nos sempre lembrar um filho ou um sobrinho que, sem talento ou vontade, nunca saiu de casa dos pais, embora continue – como bom rapaz que é - a fazer a cama bem feita, a dobrar o pijama e a manter o quarto arrumado.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

À bruta

Quando cheguei ao Flávio já estávamos a ganhar por dois a zero, mas ainda a tempo de ver um fora-de-jogo mal marcado ao Wolfswinkel, que partia isolado para a baliza. Depois, bem, depois voltámos ao costume, com o meio-campo a dar baldas sobre baldas e ninguém a pressionar ou a defender. Quando se perde a bola, os extremos encostam-se às laterais e fica um terreno de ninguém, um baldio onde o adversário anda com a bola por onde quer e como quer. Como o Rio Ave também não dava uma para a caixa, acabei a ler todos os jornais e revistas disponíveis no café. Li “A Bola”, o “Diário de Notícias”, o “Correio do Minho”, o “Diário do Minho”, a “Nova Gente”, a TV Mais” e a “TV 7 Dias”. Fiquei bastante esclarecido quanto à imprensa escrita portuguesa e à sua pluralidade de interesses, que vão da bola às inaugurações ou a figuras pindéricas a passarem-se por finas.

Na segunda parte, saí deste torpor, deste adormecimento pelas piores razões: em mais uma balda, o João Pereira perdeu a bola e o Patrício deu o correspondente frango [o Patrício esteve numa tremedeira permanente; deve ser dos livres indiretos e do parvalhão do Domingos, que, em vez de efetuar as críticas em privado, vem-nas fazer para as conferências de imprensa]. Para que a comédia se transformasse em farsa, levámos o dois a dois, em mais uma jogada em que a nossa ala direita, o João Pereira aditivado pelo Pereirinha, estava a dormir a sono solto. Depois foi o que se viu: quem ainda não tinha percebido a utilidade do Onyewu ficou esclarecido. Em situações desesperadas, os jogos ganham-se com homens de barba rija, à bruta, e não com meninos e boas intenções.

Em conclusão, se a máquina de calcular não nos atraiçoa, não nos engana, estamos a cinco pontos do Benfica e do Porto. Se ganharmos o próximo jogo, ficamos a menos pontos ainda do Benfica, do Porto ou de ambos. Tal como ao Mark Twain, também me parece que as notícias sobre a nossa morte são manifestamente exageradas.

O Benfica tem mais banco

O Benfica conseguiu substituir melhor o Duarte Gomes do que o Porto o Rui Silva. Para já, parece ter um banco melhor em quantidade e qualidade.

Razão tinha o Pinto da Costa quando os classificou, a eles e a todos os outros como eles, de heróis. De facto, tratam-se de homem extraordinários pelas suas qualidades e realizações. Não era por acaso que os Gregos designavam assim os homens com características divinas. Para certas coisas, confia-se tanto ou mais neles do que em Deus.

domingo, 18 de setembro de 2011

Desfalcados

O Porto e o Benfica não vão poder contar com, respectivamente, o Rui Silva e o Duarte Gomes. Apesar de, aparentemente, jogarem na mesma posição, têm características muito diferentes. O Rui Silva é um “box to box”. Tanto vai atrás dobrar o Otamendi como, a seguir, está na frente a apoiar o Hulk. O Duarte Gomes é muito mais ofensivo. Joga em apoio permanente ao ponta-de-lança. Nem o Aimar consegue deixar o Cardoso tantas vezes em situação de golo.

Apesar de tudo, os respectivos plantéis são extensos e com muita qualidade. Não temos dúvidas que ambos serão bem substituídos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A vontade de pôr a bola lá dentro

Em minha casa não há Sportv. Em contrapartida, posso deixar os sapatos mais ou menos ao acaso. Mesmo assim, de vez em quanto, são levantados autos de averiguação e, em situações extremas, os respectivos processos. Foi o Tratado de Tordesilhas possível, que mais se parece com a vulgar violência doméstica. Apesar de tudo, não me batem e isso é um avanço civilizacional.

Não vejo, portanto, os jogos do Campeonato do Mundo de Rugby. Só vejo os resumos que, normalmente, são uma síntese dos ensaios. As imagens são poderosas. O que impressiona é o olhar dos jogadores, de quem ataca e de quem defende. Quem ataca só pensa em colocar a bola do outro lado da linha e nada mais. Quem defende sabe que os outros só querem isso e nada mais também, e que estão dispostos a tudo para o conseguir. Uns e outros olham-se nos olhos e ninguém tem dúvidas.

Conta tudo, a inteligência, a táctica, a força, a velocidade. Mas duas coisas contam mais do que tudo o resto. O jogo colectivo, ninguém, mas mesmo ninguém, arrisca perder um ensaio para satisfazer o seu ego. A vontade, todos, individualmente e em conjunto, querem por a bola do outro lado da linha. Essa vontade é completamente sôfrega. Não dá um momento de descanso ao adversário, não permite tréguas.

No futebol gosto de golos assim. Com jogo de equipa e vontade. O segundo golo contra o Zurique foi soberbo. A partir de certa altura, percebemos que os jogadores do Sporting vão para o golo. O olhar do Insúa não deixa dúvidas. O Wolfswinkel percebe-o antes de todos os outros. Simula que vai ao primeiro poste, desvia-se e encosta para a baliza. Tarde demais para o guarda-redes, que só percebeu tudo uma fracção de segundos depois. Fica-me na memória a cara do defesa central, de quem tinha vontade de se meter num buraco e desaparecer.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Livrei-me do Sporting; vamos ver se me livro do trânsito também

Há duas maneiras de acabar mal o dia. Uma é a ver um jogo miserável do Sporting. Outra é metermo-nos no trânsito para sair do Porto. Havia o risco de experimentar as duas numa sequência infernal. Foi com este estado de espírito que me desloquei à Galiza (cervejaria, entenda-se) para ver o jogo.

Perdi o primeiro quarto de hora. Parecendo que não, o trabalho perturba muito o futebol. Quando cheguei, estávamos a ganhar um a zero. Logo a seguir marcámos o dois a zero. O Wolfswinkel “à mama” não perdoou. Se há coisa que gosto é de vê-las lá dentro, especialmente, quando são assim, sem espinhas. Sem um toque a mais ou a menos, uma finta a mais ou a menos.É difícil habituarmo-nos à vontade do Wolfswinkel e do Rubio de marcar golos. Sem o Postiga, marcamos golos mas perdemos na nota artística. Não é a mesma coisa.

Depois assistimos a mais uma desmonstração da falta de agressividade e de capacidade defensiva do nosso meio-campo. Cada jogador do Zurique com a bola parecia o Messi. O que vale é que iam esbarrando à vez no Onyewu, no Rodriguez ou no Rinaudo. Quem diz que o André Santos é um substituto do Rinaudo, que devem ser os mesmo que diziam que o Pedro Mendes era um bom trinco, não deve estar bem da cabeça.

Para não nos desabituarmos, gamaram-nos mais uma vez. Os amarelos foram escolhidos para que ninguém fosse para a rua. O penalty da ordem não faltou também. Mesmo assim não nos anularam nenhum golo. As coisas estão de tal forma que o Wolfswinkel marcou o golo e ficou logo em estado de ansiedade. Só o festejou dez minutos depois.

Livrei-me do Sporting. Espero que o trânsito me deixe em paz também.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Tribunal de “O Jogo” ou "Sistema ao Cubo"?

Em teoria, o Tribunal de “O Jogo” pretende ser uma espécie de órgão de limpeza a seco do sistema. Nódoas, detritos ou dejectos, nada escapa à sua acção. Penalties ridículos assumidos como verdades como punhos? Penalties inequívocos transformados em meros choques entre jogadores na disputa da bola? Foras de jogo em que se deve dar o benefício à equipa que ataca ou que defende, consoante seja aquela que se pretende beneficiar? A intensidade dos contactos, às vezes, não conta para nada, pois o que interessa é se há acção faltosa, outras vezes, é decisiva para fundamentar as apreciações às decisões arbitrais? Lances faltosos idênticos, julgados, às vezes, como simples faltas, outras vezes, como acções para amarelo, ou, quando dá jeito, até para vermelho? Bolas na mão, ou mãos na bola, consoante a vontade do freguês? Tudo isto e muito mais, pois, no Tribunal de "O Jogo", a imaginação é um armazém de factos gerido em parceria pelo poeta e pelo mentiroso (Ambrose Bierce, pois claro...).
Sem surpresa, os intérpretes do Tribunal de “O Jogo” são sempre 3 ex-árbitros de futebol. Actualmente o trio é composto pelos nossos conhecidos Jorge Coroado, Paulo Paraty e Pedro Henriques. Trata-se, portanto, de três ilustres ex-árbitros designados para ajudar os actuais homens do apito a evitar que o futebol degenere e se torne num desporto imprevisível.
No entanto, ao lermos as suas hilariantes análises somos levados a concluir que, em vez de órgão de limpeza a seco do sistema, esta é, afinal, a secção humorística do simpático jornal desportivo nortenho (uma espécie de “O Sistema ao Cubo”, com diversão garantida).
No recente jogo do Sporting em Paços de Ferreira, Paraty, analisando com rigor científico o lance do atraso fantasma de Rodriguez, acaba por concluir pelo acerto da decisão de Paulo Baptista, pois, diz ele, independentemente de haver ou não intenção do peruano, “o facto é que há um passe objectivo ao guarda-redes e que este joga a bola com a mão”. Pedro Henriques também tenta concluir que a acção é faltosa, mas, mais trapalhão, acaba por fazer um auto-golo com a argumentação utilizada: “Rodriguez, ao querer interceptar a bola, acaba por mudar a sua trajectória, atrasando-a na direcção da sua área, onde Rui Patrício acaba por agarrá-la. Acção passível de livre indirecto”... Paraty e Henriques têm toda a razão. O que dizem tem toda a lógica. O meu cão tem quatro patas. O teu gato tem quatro patas. Logo, o teu gato é o meu cão...
Já Jorge Coroado, normalmente, para o bem ou para o mal, o mais heterodoxo deste trio maravilha, entende que não houve atraso, pois “a bola foi jogada pela canela de Rodriguez e ressaltou para trás”. Mas judiciosamente acrescenta: “Rui Patrício segurou-a, mas devia saber, por experiência própria, que gato escaldado de água fria tem medo...”. Depreende-se, pois, da análise de Coroado que há regras no futebol português que só se aplicam aos guarda redes do Sporting e que, compreensivelmente, estes deveriam estar mais atentos a isso… Todos nós sabemos - e Pedro Proença também - que, na verdade, sempre assim foi e sempre assim será…
Depois, em relação à entrada assassina de Luiz Carlos, que, contra equipas com camisolas azuis ou encarnadas, poderia ser facilmente interpretada como lance para vermelho directo (ou amarelo alaranjado, como dizem os comentadores quando acham que foi lance para cartão vermelho, mas não é de bom tom dizer isso em público), Coroado considera que o jogador pacense “fez, simplesmente, pé em riste, jogo perigoso, justificando, somente, o livre indirecto assinalado”. Pelo contrário, há duas jornadas atrás, no lance da carga (legal ou ilegal, era a dúvida) de um defensor do Beira-Mar sobre Van Wolfswinkel na sua área, Coroado mostra o seu lado humanista, preocupando-se com a integridade física do jogador... aveirense: “Van Wolfswinkel já estava desequilibrado na altura do contacto. Na queda, aterrou em cima do joelho do adversário, que podia ter-se magoado”.
Para além da comédia, há também “espaço e volume” para a ficção. Por exemplo, no terceiro penalty de Duarte Gomes contra o Guimarães, Pedro Henriques entende que “N'Diaye, com o braço levantado acima da cabeça, ocupa espaço e ganha volume, tocando deliberadamente na bola. Grande penalidade bem assinalada”… Afastado da arbitragem na sequência de um célebre Benfica - Nacional (onde cometeu a temeridade de anular bem um golo que daria a vitória aos encarnados nos últimos segundos do jogo - O Tempora! O Mores!), Pedro Henriques melhorou entretanto a sua visão e, depois de várias repetições televisivas, consegue, agora, com a preciosa ajuda do seu olho de águia, observar também que:   “El Adoua, com o braço direito, de forma deliberada, intercepta a trajectória da bola”… Como dizia o grande Barão de Itarare, quem foi mordido por cobra até de minhoca tem medo…

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Contos do Gin Tónico

Pior do que as arbitragens, só os comentários sobre elas. Os árbitros são maus, sobre isso ninguém tem dúvidas. Quando o deixam de ser, passam a bons comentadores de arbitragem e sobre isso já ninguém tem dúvidas.

No célebre livre indirecto nas Antas há uns anos, o argumento “a posteriori” foi o de a bola ter sido dirigida objectivamente ao guarda-redes e de isso ser demonstrável pelo facto de ele não ter tido necessidade de se deslocar para a agarrar. Essa teoria fez tanto vencimento que o Vítor Pereira elaborou uma norma a dizer coisa parecida, que passou a vigorar na jornada seguinte. Com essa norma se legitimou uma decisão anterior, como se a norma pudesse ter efeitos retroactivos. Depois de cumprido esse efeito, a norma desapareceu da mesma forma que apareceu (sem ninguém perceber).

A norma não dava para esta vez e, portanto, esperava com interesse as explicações. A coisa piorou. A imaginação está a faltar e, por isso, ficámo-nos pelo “parece que”, “pode ser interpretado como” e coisas afins. As explicações para os penalties do Benfica foram muito interessantes também. O jogador queixa-se de a bola lhe ter acertado na barriga ou da cabeça, logo não há dúvidas que a cortou com o braço.

Não costumo ler e, muito menos, comprar jornais desportivos. “O Jogo”, então, é um autêntico mistério para mim. Há dias enviaram-me este conjunto de comentários ao lance do penalty não assinalado na Luz a favor do Feirense. Todos são extraordinários, cada um à sua maneira. O conjunto é tão coerente como qualquer um dos “Contos do Gin Tónico”, do Mário – Henrique Leiria. Mas o último comentário, do Paraty, devia integrar uma colectânea de escrita surrealista. É qualquer coisa do tipo: “foi penalty, mas o árbitro não viu nem podia ter visto. Há mesma hora estava na Fonte dos Passarinhos, no Calvário, a beber uma mini e a comer um pires de tremoços, enquanto lia o último New York Times Book Review”.

domingo, 11 de setembro de 2011

Duarte Gomes é um excelente "playmaker" mas ainda falha no último passe: Porquê ficar por um "hat trick" se se pode fazer um "poker"?

Mais uma jornada da Liga e... volto a ser atormentado pelos meus sonhos leoninos... Ontem, sonhei que um árbitro, assumido adepto do nosso clube, oferecia ao Sporting, de mão beijada, não um, não dois, mas três penalties...! Ao longo da sua carreira ou durante a actual época? - perguntam vocês. Não, meus amigos, tudo no mesmo jogo!!!
Quem seria esse árbitro dos meus sonhos? O Bruno Paixão? O João Ferreira? O Duarte Gomes? Sim, "pode ser", esses têm provas dadas. Esses ou quaisquer outros. Desde que seja alguém mais baratinho que o Messi ou o Cristiano Ronaldo, mas que, como eles, tenha a capacidade de, sozinho ou em combinação ofensiva, fazer três assistências para golo no mesmo jogo...
Nesses meus sonhos, confesso que também não sou muito esquisito quanto ao tipo de penalties que os árbitros marcam a favor do Sporting. Uns, amigos do seu amigo, gostam mais de nos dar uma mãozinha (ou várias até)… Outros, de forma mais discreta, preferem empurrar-nos para a frente… Inspirados pelo Banco Alimentar, a dádiva e a partilha são os valores que os regem. Qualquer tipo de ajuda vale, porque, afinal, as pessoas devem estar primeiro…

No final desses meus sonhos, o treinador adversário nunca diz, em tom incendiário, que o Sporting foi claramente favorecido pela arbitragem para poder continuar na luta pelo título (com contas complicadas de cabeça e tudo...); pelo contrário, esse treinador adversário dos meus sonhos, sem embargo de um ou outro lamento pontual sobre os penalties sofridos, nunca deixa de dar o benefício da dúvida ao árbitro, concluindo, de forma conciliatória, que as três equipas em campo erraram e que "temos de errar todos menos”... Já o pândego do nosso treinador garantirá, como é habitual, com todas (bem, quase todas…) as letras, que fomos prejudicados, asseverando que existiram quatro e não apenas três penalties…

Que diabo, ó Duarte Gomes, afinal se podemos entrar na história com um "poker", porquê ficarmos por um banal "hat trick"?