sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

The Lask but not the least


Achei estranho a marcação de um jogo-treino para a Áustria. Depois percebi que havia aqui um sentido cultural, pois por essas bandas ainda se fazem verdadeiros mercados de natal de rua, onde toda a gente vai, em contraponto aos nossos centros comerciais. A ideia era interessante. Mas havia o jogo. Todas as mudanças ocorridas iam de encontro à ideia de um jogo-treino, dar uma oportunidade a alguns jovens, insistindo em colocá-los ao lado de génios como Ilori, Rosier, Jesé, para trocarem experiências. Ficar em primeiro lugar do grupo, ganhar um mísero milhão de euros, ser cabeça de série no sorteio, não poderia ser sobreposto ao próximo jogo do campeonato, onde lutamos estoicamente pelo terceiro(?) lugar e vamos jogar contra o Santa Clara. É este tipo de exigência que cria os grandes heróis.

O Lask, conhecedor dos mercados de rua e igualmente dos centros comerciais, onde se podem aquecer as mãos e os joanetes, não foi de modas e focou-se neste jogo como se de um jogo importante (a que propósito? - terá pensado Silas) das competições europeias se tratasse. Em pouco tempo percebemos que o Sporting se tinha organizado de forma a tentar não sofrer muitos golos, alguns ainda vá, mas muitos não. O lance do primeiro golo é uma pérola que deve constar dos bons manuais de como se deve defender com os olhos e em grupo. A seguir o Jesé chegou vinte minutos atrasado a um golo cantado e perguntou: Mister, isto é a sério? fosca-se… Esta sequência didática culminou com o Renan a provar por A + B que os árbitros levam estes jogos treino para terrenos pantanosos. Aquela saída ao jogador adversário já está nos anais dos jogos-treino a que se dedicam estudiosos de Ponte da Barca e Póvoa do Lanhoso.

Os nossos miúdos estavam deliciados: agora vamos ter esta experiência enriquecedora de jogar apenas com dez. A estratégia afigurava-se certa, sofrer golos, muitos é que não. Na segunda parte os jogadores do Sporting concentraram-se num jogo de bocejos muito eficaz, não estivesse o Camacho meio a dormir e até tinha marcado um golo, algo que não estava previsto. O Lask continuava a levar as coisas a sério, e lá foi tentando marcar mais golos. Dirigentes do Lask ainda solicitaram que deixassem o Sporting jogar com 11 para ver se dava pica, mas tal não foi permitido.

No final do jogo Silas esclareceu-nos tudo através do seu manual de desculpas em dois volumes. Tem a chancela da editora The Lask but not the least.

7 comentários:

  1. Só esta crónica para me fazer rir a propósito do jogo de ontem !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu nem com esta crónica me consegui rir disto tudo, mas obrigado meu caro.

      SL

      Eliminar
  2. A crónica de Gabriel Pedro é excelente por oposição à conversa do Silas cujas explicações para os inêxitos não têm pés nem cabeça. Terá agora que vencer o St.Clara para que a sua linha de raciocínio faça algum sentido mas se insistir em Jesé e ainda por cima, a ponta de lança, vai ser difícil. Bem, pelo menos já não teremos o Renan paralisado no meio dos postes.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu caro, obrigado.

      O melhor mesmo é meter o jesé á baliza, sempre tem que correr menos. O renan é fraquito com os pés, entre outras coisas, poderá jogar na vez do Ilori, não se notará a diferença. Vamos no bom caminho. Talvez o Famalicão perca e nós lá conseguiremso ganhar ao santa. Quem sabe ainda ficaremos no 3ºlugar.

      SL

      Eliminar
  3. Depois de ver o jogo fui tomar pastilhas Reni (vem de Renan).
    Pronto, mas segunda feira temos o Benfica, perdão Santa Clara e aconselho vivamente o Silas de ganhar este jogo. Varandas ainda vai no terceiro treinador, para bater o record precisa mandar embora mais dois.
    SL

    ResponderEliminar