quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Uma lágrima no canto do olho

Li e ouvi diversas análises do jogo contra o Marítimo. Em todas elas falta o essencial. Não é possível uma análise definitiva do jogo que não tenha em consideração a forma como fomos beneficiados pelo Xistra no primeiro golo. Entre marcar penalty ou deixar que o Coates disputasse o lance de cabeça agarrado pelo adversário, o árbitro não hesitou: deu a lei da vantagem. Se marcasse penalty, como devia, as probabilidades de golo eram muito menores do que deixando continuar o Coates agarrado. A questão não é tanto o benefício concreto deste jogo. A questão é por que razão somos sempre beneficiados pelas arbitragens, nomeadamente nos jogos em casa.

Os “freakonomics”, Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, esclarecem-nos no seu último livro. Os árbitros beneficiam involuntariamente as equipas que jogam em casa. Envolvem-se emocionalmente com os adeptos. Não, não é o que estão a pensar. Ninguém viu o Xistra de mão-dada com o Slimani ou com a Patrícia Mamona. Os árbitros assimilam a emoção da assistência e tendem a tomar decisões que a tornem feliz. Este processo de assimilação da emoção é diretamente proporcional á distância entre o campo e as bancadas. Com base nos dados da Bundesliga, conclui-se que a vantagem de jogar em casa é menor nos estádios que dispõem de uma pista de atletismo à volta do campo relativamente aos estádios que não dispõem de pista.

Assim é mais fácil explicar a decisão do Xistra no sábado passado. Foi a emoção que o traíu. Foi quase impercetível, mas um espetador mais atento viu o que eu também vi. Quando o Coates marcou o golo, o Xistra tinha uma lágrima no canto do olho. Ainda temos o fosso a separar o campo das bancadas. Se assim não fosse, teríamos visto o Xistra lavado em lágrimas.

8 comentários:

  1. Top Caro Rui :)
    Até eu fiquei com uma lágrima no canto do olho por causa da lágrima do Xistra.

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    1. Meu caro,

      A emoção do Xistra deixa qualquer um emocionado também.

      SL

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  2. Estou certo que será dada nova oportunidade ao Xistra para, novamente, "beneficiar" a equipa que, em casa, joga em Alvalade.

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    1. Meu caro,

      O Xistra não perdeu esta oportunidade. Não vai perder nenhum outra. Aproveita-as todas.

      Um abraço

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  3. Caro Rui,

    Estamos de acordo, só pode ser para isso que serve o fosso. Ainda assim a arbitragem surpreendeu-me pela positiva: o ano passado começámos o campeonato a comer um golo com a mão, em fora-de-jogo (seguido de uma campanha da Bola e do Record para mudar as leis do futebol e transformar um lançamento lateral com os pés apenas parcialmente sobre a linha em irregular).

    É o problema das expectativas. O Sporting o ano passado fez um excelente campeonato. Parece impossível não fazer pior. Já as arbitragens foram deploráveis (note-se que o país campeão da Europa não teve um único árbitro no Europeu!). Parece impossível não fazer melhor.

    A bem da estabilidade o 'jornalismo desportivo' está no mesmo registo. Todos os dias são garantidas chegadas que nunca se concretizam e temos jogadores que já foram dados como certos em tantas equipas que já nem eles devem saber onde ir treinar.

    SL

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    1. Caro João,

      Sem o fosso, cada jogo em Alvalade transformava-se numa telenovela.

      Mesmo que os jogos em Alvalade não se transformem em telenovelas, o campeonato está transformado num Corin Tellado. Nem conseguimos esperar pelos próximos episódios, especialmente aqueles que envolvem a iminente saída de metade da equipa do Sporting.

      Um abraço

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