domingo, 30 de outubro de 2011

Vencer a irritação

Acabei a semana de trabalho irritado. Passei o fim-de-semana irritado com a perspectiva de voltar amanhã ao que me irritou. Fui, portanto, irritado ver o jogo contra o Feirense. O Flávio fecha ao Domingo, o que me obrigou a ir ver o jogo no café do outro lado da rua. O café é pequeno e barulhento, o que também não ajuda nada quem está irritado.

O jogo começou irritante. Na primeira reposição de bola, o Feirense já estava a queimar tempo. Faltas e mais faltas para parar o jogo. O árbitro, em vez de mostrar amarelos, a chamar os jogadores e a dizer-lhes que aquela era a última vez. Depois deste espectáculo, dá dez segundos de descontos.

Se não fossem os estarolas dos comentadores, a primeira parte só tinha esta triste história. Mas o penalty sobre o Elias e os comentários salvaram-nos. O Freitas Lobo, arguto como sempre, começou por afirmar que o Elias já ia em queda. A seguir, disseram que o jogador do Feirense foi bem intencionado à bola. A muito custo sempre acabaram por ver que houve falta. Nunca tiraram a conclusão devida e a palavra “penalty” nunca foi pronunciada.

A segunda parte começou na mesma, com os jogadores do Feirense a darem pau. A impunidade era tanta que quando um foi expulso todos ficaram indignados e com razão: se o árbitro manda dar pau, não se compreende porque razão não se continua à paulada até ao fim. O Domingos acordou e procurou descomplicar o que tinha complicado desde o início. Entrou o Carrillo e depois o Jéffren.

Os do Feirense continuam na mesma e fazem penalty. Mesmo a ganharmos por um a zero, o jogo continuou irritante. O Schaars, farto daquilo tudo, acabou com ele à paulada, mas na bola. Nesse golo gostei de várias coisas. Da insistência do Onyewu, um rapaz grandote do Feirense ainda o tentou pressionar, só que com aquele há pouco a fazer, do remate do Schaars e da reacção do guarda-redes, que dez minutos depois da bola entrar lembrou-se de ainda tentar a defesa (terá pensado que, mesmo em situações desesperadas como aquela, lhe ficava mal ficar a olhar para a bola).

Regresso a casa. Como uma arrozada de peixe. Estava excelente. Sinto-me mais calmo. O campeonato é assim mesmo. Todos os jogos são para ganhar, irritantes ou não.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Já agora.

Há 9 jogos seguidos que não ouço o papagaio do Bruno Carvalho. Espero que assim continue, por muitos e bons anos. Era bom sinal.

Águas a Presidente

O Dr. Carlos Marta, Presidente do Município de Tondela e candidato a Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, nem sempre se chamou assim. Nos anos 80 era extremo direito no Académico de Viseu e chamava-se Águas. Teve o seu momento de glória quando marcou um golo em Alvalade, que permitiu a vitória do Académico de Viseu contra o Sporting.

Como sou de Viseu, nesse jogo o meu coração tremeu. Confesso: queria que o Académico de Viseu ganhasse. O Águas foi um herói nesse jogo e assim permaneceu na minha memória. Há uns anos, por indicação de um amigo comum, fui convidado por ele para fazer um conferência em Tondela (o tema não vem ao caso; aliás, o tema é irrelevante para este caso). Quando nos apresentámos, tive uma desilusão. Não (re)conheci o Águas, um herói da fase final da minha adolescência, conheci o Dr. Carlos Marta.

Isto tudo para falar da dissonância na Direcção do Sporting a propósito das eleições para a Federação Portuguesa de Futebol. Se o Sporting tiver capacidade efectiva de influenciar a constituição das duas listas, sobretudo ao Conselho de Arbitragem, a ideia de apoiar os dois candidatos (Fernando Gomes e Carlos Marta) pode não ser má; quando se sabe que a eleição dos membros desse Conselho é efectuada pelo método proporcional. Agora, quando sabemos que os candidatos a Presidente desse órgão são o Vítor Pereira e o Paulo Costa, ficamos sempre na dúvida se o Luís Duque não estará, mais uma vez, a exorbitar das suas funções.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Don't ever stop

Quando vejo jogar o Sporting só quero duas coisas: que o jogo não acabe e que os jogadores não se deslumbrem consigo próprios. Primeiro, porque a vida de todos nós fora do jogo é cada vez mais insuportável. Segundo, há jogadores como o Carrillo que não se podem perder; seria um crime para o futebol.

O que é que se pode dizer mais deste jogo contra o Gil Vicente quando o Carriço marca um golo a centro de Polga? Quando o Capel marca dois golos de cabeça? Quando o Bojinov em meia dúzia de minutos em campo marca dois golos? Quando acabamos o jogo com quatro avançados? Talvez dizer que o Domingos está a construir uma grande equipa. Talvez dizer que o Domingos é um grande treinador.

Houve jogadas notáveis, mas saliento a do quinto golo. Pela arrogância do Carrilo, que vai para cima do defesa, como quem lhe pergunta por que lado quer ser passado, dá-lhe três metros de avanço e faz um passe de morte com a “soupless” de quem está a jogar uma peladinha com os amigos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Ronaldo também Messi…

Adoro ver bom futebol. Por isso, desde os 18 anos que, sempre que tenho possibilidade, gosto de ver jogos do campeonato espanhol. Por isso, é um prazer ver jogar Ronaldo. Por isso, é um prazer ver jogar Messi. Para mim, Ronaldo e Messi são, neste momento, a grande distância, os melhores do mundo.

Qual deles é o melhor? As opiniões dividem-se e a discussão apaixona os adeptos mais fervorosos. O meu filhote diz que é o Messi, o mágico do futebol “play station”. O meu irmão diz que é o Ronaldo, o atleta perfeito. Mas ambos também adoram ver jogar o seu principal rival.
Em Portugal, a generalidade da comunicação social tem um gostinho especial por, mais do que mitificar a genialidade de Messi, procurar, implícita ou mesmo explicitamente, secundarizar a genialidade de Ronaldo. É certo que Ronaldo nem sempre tem estado no seu melhor na selecção nacional. Mas também é certo que Messi também não parece o mesmo quando actua pela selecção argentina. Quando Messi está melhor que Ronaldo num fim-de-semana, o amesquinhamento do madeirense por parte dos media portugueses é garantido. Quando, pelo contrário, Ronaldo está melhor que Messi, como neste ou noutros fins-de-semana, o principal mérito é dado ao seu treinador (em Manchester, a Ferguson e, agora, em Madrid, a José Mourinho).
Todas as opiniões são legítimas, mas se Ronaldo tivesse sido formado no Benfica e não no Sporting, como seria tratado o madeirense pela comunicação social portuguesa? Alguém se atreveria a colocar Ronaldo num segundo plano face a Messi? Ou, pelo contrário, seria considerado unanimemente como o melhor futebolista português de sempre? Ou até, no caso dos fervorosos cronistas d' "A Bola", não teria já sido eleito Ronaldo como o melhor futebolista mundial de todos os tempos, logo à frente de Eusébio e de… Rui Costa?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Jogar contra o destino

Decidi chegar a casa mais cedo para ver o jogo contra o Vaslui. Mesmo assim, não cheguei tão cedo quanto queria. Perdi os primeiros vinte e cinco minutos do jogo. Não conheço a minha casa durante a semana àquela hora. Senti-me verdadeiramente em casa e mais em casa me senti quando comecei a ver jogar o Sporting.

O futebol tem no Sporting desta época também um porto seguro, como a bola nos pés do Matias. Cada passe, finta, simulação ou remate vai assinado. Retenho várias imagens: a parábola de livre, a trivela do golo, a arrancada e o passe para o golo do Evaldo.

Depois temos o Capel. Não via um jogador tão entusiasmante há muito. Não sei a que atribua maior mérito no segundo golo, se à arrancada imparável do Capel, ao túnel do Carrillo ou à trivela do Matias. Qualquer um das jogadas é notável. Juntas são um monumento.

Sabemos jogar com dez. Sabemos jogar contra dez. Falta saber, no fim, se somos capazes de jogar contra o destino.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Notícia do DN

Num dos meus mais brilhantes momentos de Sportinguismo desloquei-me a Madrid para assistir a um Atlético de Madrid - Sporting.

Apesar do resultado de 0-0 foi um dia especial ... Estavam mais de 5.000 adeptos leoninos e a oportunidade de fazer o caminho da Plaza Mayor ao Vicente Calderon entre esse milhares de Sportinguistas foi um momento especial.

Pelo caminho para além de vários hinos ao nosso Clube e piropos às espanholas que viam a multidão a passar... um hino ecoava com especial emoção entre os adeptos:

[ ohhhhh ... eu vi o simão ... no sexyhot ... no sexyhot .... a levar no pacote ... ]

Ontem ao ler o Diário de Notícias fui informado de negociações com vista ao regresso a Alvalade desse pulha, desse cretino que dá pelo nome de Simão Sabrosa.

Eu serei do Sporting até morrer e com ou sem Subsidio de Natal continuarei a ser sócio do Grande Sporting. Mas se possível poupem-me a merdas destas.

Saudações Leoninas,

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Para onde vão tantos pontos?

No jogo contra o Olhanense ficámos sem dois pontos. Ficámos a saber agora que o fiscal-de-linha desse jogo (José Cardinal) viu a sua classificação reduzida em 1,1 pontos. Ficámos a saber que o observador desse jogo (Albano Fialho) vai ser penalizado em três pontos também.

Para onde foram esses 6,1 pontos? Os do Sporting sei para onde foram: directamente para o Benfica e Porto. E os 4,1 que sobram? Vão-nos ser atribuídos em compensação?

sábado, 15 de outubro de 2011

Quando é que voltam os jogos a sério?

Andámos não sei quanto tempo sem bola para a selecção preparar o apuramento; ainda para mais para fazer o lindo serviço que se viu contra a Dinamarca. Agora, enfiam-nos com a festa do povo, e vá de fazer um jogo treino a Famalicão. Um aborrecimento de todo o tamanho.

Ficámos a saber que o Wolfswinkel também marca golos de penalty e de cabeça. Já suspeitávamos, mas é sempre bom ter a certeza. O Pererinha fez um centro para golo. Apetece dizer que quem faz um centro faz um cento (o trocadilho está ao nível do jogo) e, portanto, ainda vamos a tempo de reinventar o homem.

Com o Evaldo a central, a outra equipa, jogue com quem jogar (com onze, dez ou nove), transforma-se numa Barcelona em potência. Essa opção pode não ser má se se pretender, como hoje, confirmar que o Marcelo Boeck é um excelente guarda-redes. Mas estando a prova feita, não acredito que o Domingos a pretenda repetir.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ai a Tola, Queiroz!

-  “Comigo à frente da Selecção, a qualificação teria sido absolutamente natural, normal, consistente, e estaríamos agora na fase final do Euro.”, O Professor

Salvo demonstração em contrário, em vez da grandiosa epopeia que julga ter estado em condições de realizar, o Professor pode é estar a bater com os punhos contra as grades da janela do asilo "Casa do Futebol", garantindo chamar-se Alex Ferguson e pedindo para ser tratado apenas por Sir, para deleite inocente de muitos espectadores desprevenidos (adaptada do Dicionário do Diabo, de Ambrose Bierce).

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quem quer ter uma selecção que a pague

Não se podia pedir mais. Se outro mérito não teve o Paulo Bento, teve seguramente o de demonstrar, a quem ainda tivesse dúvidas, que o Queiroz é uma fraude. A sanidade que isto traz ao futebol português vale muito.

Agora, não parece que dê para muito mais do que deu: ganhar à Islândia, ao Chipre e à Noruega e perder com a Dinamarca. Vamos ver se ainda chegamos à fase final. Mas, mesmo que lá cheguemos, uma selecção assim não vai muito longe.

A partir de agora, as coisas só vão piorar. Andamos à caça dos Eliseus e a reciclar o Postiga e o Nuno Gomes. Isto diz tudo. Peçam ao Pinto da Costa, ao Filipe Vieira, ao Jorge Mendes, ao Vitor Pereira, ao Olegário, ao Duarte Gomes e a outros que tais que formem os futuros jogadores da selecção. Nós estamos fartos de dar para esse peditório e de ainda sermos gozados por cima. Se a Federação, os portistas, os benfiquistas querem ter uma selecção competitiva, que a paguem também.

Sabemos que Freitas Lobo prefere o “pilar” Rolando ou mesmo…

… Um “avançado elegante” como Milan Purovic, ”com grande capacidade atlética e um remate potente e colocado, com o pé direito. Busca espaços, fora ou dentro da área, escapa aos seus marcadores, e remata muito bem. Não é muito veloz mas, agressivo, movimenta-se com grande inteligência. Destaca-se também a cabecear. Pode jogar sozinho no ataque ou com outro avançado a seu lado (fez dupla com Zigic). O seu futebol cresce quando se aproxima da área” (Freitas Lobo).
Purovic, confirmou-se, era, de facto, tão elegante como um Fred Astaire. Tão agressivo e inteligente como o Professor Marcelo. Tão ladino a escapar aos adversários como o Vale e Azevedo.
Nós não temos o sentido visionário de Freitas Lobo. Talvez por isso preferimos, em vez da elegância destes pilares, a nossa mal-ajambrada torre americana. Se hoje conseguimos ver mais longe, foi por estarmos sobre os ombros deste gigante.

sábado, 8 de outubro de 2011

(En)rolando

Excelente jogo de Portugal contra a Islândia em hóquei em patins. Numa abordagem impressionista ao jogo, ficam duas ou três imagens.

O Postiga completamente à vontade e em excelentes condições para rematar à baliza a atirar-se para o chão e a marcar um golo com a canela. À falta de taco, uma carambola daquelas só se consegue dando o efeito devido à bola com a canela. Só o Postiga e o Jorge Theriaga estão em condições de dar esse efeito.

O Rolando a fazer um penalty digno de um júnior. O Rolando faz boas duplas mas não com o Bruno Alves. Faz boas duplas com o Olegário, o Soares Dias e por aí fora. Não podendo contar com eles, talvez não fosse má ideia o Paulo Bento convocar o Tonel.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Reforços de S. Martinho

Com a saída do Luís Aguiar e a operação do Izmailov não podemos esperar pela abertura do mercado de Inverno. Vai ter que ser mesmo pelo S. Martinho.

Entram o Carlos Trindade Gomes e o Rui Almeida, sportinguistas de velha têmpera de Viseu (como sabem, o Distrito onde, em termos relativos, se fazem mais e melhores sportinguistas). São, sobretudo, velhos amigos. Daqueles que contam, quando só temos os dedos para os contar.

O Árbitro Incorruptivel

E sem dúvida aquele árbitro era incorruptível. Chamou à parte o Presidente de um clube e disse - Ontem à noite recebi os quinhentinhos com que o Senhor me pretende subornar. Como o seu colega do clube adversário já me tinha enviado uma milena, eu sugiro que o Senhor me dê mais quinhentinhos para que eu possa arbitrar o jogo com absoluta imparcialidade.
PS - Adaptado de “Pílulas” de Millor Fernandes
NB - Os valores em causa têm já em consideração os cortes salariais do próximo PEC.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O anti-Lexotan

O futebol e o Sporting são o melhor Lexotan que conheço. Quando a bola começa a rolar tudo se esquece; os problemas, por mais graves que sejam, passam para outro plano; quando há bola só há bola.

Com o Bruno Paixão e outros, o futebol torna-se num exercício de irritação. Só que para nos irritarmos já temos coisas na vida que cheguem. Mesmo depois da vitória permanece a irritação. Não é para isto que serve, seguramente, o futebol.

domingo, 2 de outubro de 2011

Os adeptos têm a palavra

Acordei mal disposto. Este Verão de S. Martinho, com mais de trinta graus em Braga, deixa qualquer um zonzo. Interpretei esta disposição como maus augúrios. Se não gostasse da minha gata, ainda lhe revolvia as entranhas para os confirmar.

Ainda pensei que os augúrios não tinham razão de ser quando o Capel marcou, logo a abrir, o primeiro golo. Gostei particularmente de ver o central do Guimarães tão preocupado com a desmarcação do Wolfswinkel que nem deu conta que o Capel estava isolado.

Mas o Bruno Paixão estava em campo e, por isso, os augúrios tinham razão de ser. Aos vinte minutos, estávamos a jogar com dez. Até ao final da primeira parte não se notou. Ainda fomos nós a criar as melhores oportunidades. Na segunda parte resolvemos dar um massacre defensivo ao Guimarães. Cheguei a ter pena deles: nem uma oportunidade de golo para amostra.

Não sei o que se pode dizer mais. Assim as coisas não podem continuar. Como não sou adepto de qualquer tipo de violência e a justiça desportiva não funciona, resta-nos recorrer aos tribunais civis. O Sporting não o pode fazer, mas os seus adeptos podem. O Abrantes Mendes levantou essa hipótese durante a campanha. Vale a pena pensar nela.