segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mixed feelings

O jogo de hoje, contra o Moreirense, gera “mixed feelings”. A primeira sensação é de desperdício. Esta época podia ter sido bem diferente se não tivéssemos consentido empates disparatados em casa contra equipas medíocres. A segunda é que, mesmo goleando, deixámos sempre o jogo e o resultado em aberto.

Só vi a segunda parte, no Flávio, como sempre. Ouvi o relato da primeira, enquanto regressava a casa. Do que vi e ouvi, tem-se a sensação de já se ter visto este filme mais vezes. Com a bola nos pés, parecemos estar a jogar uma peladinha com os amigos. Ninguém joga fácil. Todos jogam para a nota artística. Não se congela o jogo. Joga-se sempre para a frente. Quando perdemos a bola, fica o William Carvalho com as despesas do meio-campo e uma defesa à beira de um ataque de nervos.

Jogámos de forma agradável. Fizemos jogadas espectaculares. O Montero marcou um golo só a alcance dos predestinados (ainda bem que estava de costas para a baliza; se estivesse de frente e fosse fácil o mais provável é que acabasse por falhar). As coisas correram bem, tão bem, que até o Capel fez um cruzamento para mais um golo do Montero. O Nani procura incessantemente um golo que possa passar na Eurosport. Não vê os colegas e as suas desmarcações. Não vê mais nada a não ser a si próprio numa moldura a marcar o golo da época.

O pior, como disse, é quando perdemos a bola. A rapaziada do Moreirense teve sempre todo o espaço do mundo para atacar. Tiveram oportunidades. Tiveram inúmeros remates à entrada e dentro da área. Atiraram para a bancada. É normal. O jeito não dá para mais. O problema é se acertam, e às vezes acertam. Deixámos que o jogo estivesse permanentemente dividido, mesmo com uma vantagem confortável.

É agradável ver jogar o Sporting. É ainda mais agradável quando as coisas correm bem, como hoje. Mas não sei se uma equipa de futebol é isto. Não basta jogar bem à bola. É necessário compromisso e solidariedade. O compromisso e a solidariedade é que fazem de um conjunto de jogadores uma equipa e uma equipa vê-se a defender, vê-se nos momentos difíceis. Nem sempre vimos o Sporting a defender bem. Nem sempre vimos o Sporting a superar-se nos momentos difíceis.

Deixar a pele em campo

As nossas modalidades amadoras deram-nos um grande exemplo este fim-de-semana. No hóquei em patins ganhámos a Taça CERS. No futsal ficámos em terceiros na UEFA Futsal Cup. Em todos estes resultados houve um elemento comum: os jogadores deixaram a pele em campo.

No futsal não fomos tão felizes como no hóquei em patins. Mas, em todos as partidas, os jogadores deram tudo o que tinham e não tinham. No futsal perdemos com uma equipa que nos é superior. Estivemos a perder por dois e com cinco faltas. Empatámos fazendo das fraquezas forças. Perdemos nos segundos finais. Não desanimámos. Voltámos para golear a equipa da Rússia e conquistar o terceiro lugar.

No hóquei em patins éramos verdadeiramente o “underdog”. O Reus e o Igualada eram melhores. Sofremos o jogo todo nos dois jogos. Defendemos como podíamos. Fomos solidários. Fomos cínicos o quanto baste.

No último jogo, para além das fraquezas próprias ainda contámos com uma arbitragem à maneira. O adversário conseguiu jogar meia hora com nove faltas e sem atingir a décima. Mandaram repetir um livre direto contra nós. Mandaram repetir um penalty. O nosso guarda-redes esteve sempre lá para evitar o pior. No final, contra um adversário melhor e todas estas adversidades, trouxemos a taça para casa.

domingo, 26 de abril de 2015

Silêncio que se vai imaginar o jogo



Não tenho comentado nem postado nada pois não tenho visto grande parte dos jogos, muitas vezes nem mesmo os resumos. Como não me parece correto opinar sobre o que não vi, tenho andado calado. Por questões de saúde mental também não vejo (há muitos anos) os diferentes programas da treta sobre futebol por isso, nem sequer indignado ando.

Mas provavelmente não estou a fazer bem. Ocorre-me isso quando por vezes ouço os comentários de alguns treinadores. Parece-me que eles, bem menos preocupados com a correção, estão a falar do que não viram mas apenas daquilo que imaginaram ter visto. Para eles, e para outros, deixo aqui um pequeno diagrama rapinado na net que pode ajudar neste tipo de decisões sobre falar ou não…


E agora coisa reais:

Parabéns à nossa equipa de hóquei em patins que conquistou Taça CERS!!

Campeões!!!

domingo, 19 de abril de 2015

A encher chouriços e mal

Estabilizada a classificação do Sporting e de muitas das restantes equipas do campeonato, este jogos, como o de hoje, contra o Boavista, servem para encher chouriços. Os jogadores andam entretidos a ler jornais para verem o que lhe reserva a próxima época. Os treinadores fazem o que podem. Admito que o Marco Silva tenha de pedir por favor aos jogadores para se equiparem e entrarem em campo.

 O jogo começou da melhor maneira. Marcámos o golo mais rápido da época. Se outro título não tivermos, este já cá canta. Nem encomendado se arranjava um início de jogo melhor. Mas, no Sporting, nada é linear. Depois de marcarmos horrivelmente um livre à entrada da área, permitimos que o Boavista saísse a jogar. Os jogadores do Boavista aos trambolhões levaram a bola até à nossa área. Nessa jogada, recuperámos a bola para aí umas três vezes e três vezes a voltámos a perder. De ressalto em ressalto, lá acabou o rapaz mais jeitoso do Boavista por marcar o golo do empate.

A partir daí, entrámos no modo passo de caracol e não mais saímos dele. O Marco Silva ainda tentou acordar a rapaziada com a entrada do Slimani. Mas ninguém estava para maçadas. A acabar a primeira parte, numa espécie de contra-ataque, o Jéfferson sem perceber muito bem onde estava deixou passar a bola e o Tobias Figueiredo acabou, ingenuamente, a derrubar um pequenito do Boavista que se preparava para passar a bola ao Patrício. Expulsão do Tobias Figueiredo e remate no consequente livre à barra. Contra o Penafiel as coisas ainda correram pior. Depois da expulsão, na marcação do livre, sofremos um golo.

Na segunda parte tudo apontava para um jogo ainda pior. O Boavista não defraudou ninguém. Mesmo a jogar contra dez, recuou as tropas e defendeu com tudo o que tinha. Nós continuámos a passo de caracol e parecíamos querer continuar a cumprir o que tínhamos prometido na primeira parte. Estávamos nisto quando o Carrillo sacou um daqueles cruzamentos milagrosos que vão milimetricamente ao encontro da testa do Slimani.

Com o dois a um, as coisas podiam mudar. O Boavista tinha obrigação de atacar e nós teríamos mais espaço para o contra-ataque. Nada disso aconteceu. O Boavista queria, mas não podia. Nós podíamos, mas não queríamos.

Se este jogo foi mau, esperem pelos seguintes. O campeonato português é assim mesmo. Antes de começar a classificação está feita. Durante algum tempo, ainda se vai acreditando que nada está pré-determinado. A partir de certa altura, todos se conformam com a sua sorte e os jogos são um simples exercício de encher chouriço. O futebol português caracteriza-se por este permanente aborrecimento.

domingo, 12 de abril de 2015

Onde é que andavas, Olegário?

Mais um jogo para cumprir calendário. Era para cumprir e cumpriu-se. Ganhámos que era o que interessava, embora tivéssemos jogado a passo de caracol.

Entrámos a dormir. O Setúbal mostrava entusiasmo. Num lançamento de linha lateral criam uma oportunidade. As ordens pareciam óbvias. Biqueirada para a frente para um grandalhão coreano ou lançamentos longos para um ciclista que jogava na lateral direita. Sempre que possível, bater no adversário.

Depois de darmos um quarto hora a vinte minutos de vantagem, pegámos no jogo. Bola de pé para pé, mas tudo um pouco devagar. O Miguel Lopes era o que se mostrava mais empenhado, a parte de um Tanaka que, quando está em campo, dá o que pode e a mais não é obrigado. A continuar assim, o Cédric tem mesmo de assinar por outro clube qualquer, depois de jogar na equipa B um aninho.

Estávamos nessa modorra quando, depois de uma bola às três tabelas, o Miguel Lopes faze um centro perfeito para um cabeceamento ainda mais perfeito do Mané. Mais uma corrida mais uma viagem, lançamento longo para as costas da defesa à procura do Mané, corte em desespero de um defesa do Setúbal e remate imparável do Tanaka.

O jogo parecia resolvido. Só que com o Sporting nunca um jogo está resolvido. Mal começa a segunda parte, numa biqueirada para a frente o Ewerton cai mal, fica magoado, o grandalhão coreano fica sem marcação e faz o que ainda agora tem dúvidas que tenha feito. Jogo em aberto novamente.

Confusão na área do Sporting, um jogador do Setúbal dá uma biqueirada no Ewerton, gera-se a moche do costume e o Olegário mostra amarelo aos dois jogadores, sendo que era o segundo para o jogador do Setúbal. Só que o Olegário depois de começar fica imparável. Pouco depois, inventa uma falta para mostrar o segundo amarelo ao Ewerton.

O espetáculo passou a ter um único artista. Amarelos atrás de amarelos para jogadores do Sporting, com os jogadores do Setúbal sempre à vontade para jogarem como queriam e lhes apetecia. Substituições para cá, substituições para lá, mas o artista continuava a ser só um: Olegário Benquerença. Ao que dizem, o Olegário tem-se recusado a arbitrar jogos, sobretudo os que envolvem as principais equipas. Por isso é que já mal nos lembrávamos dele. Hoje, para que dúvidas não restassem, lembrou-nos a todos o que foi a sua longa carreira no topo da arbitragem nacional.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Com direito a farnel

Só vi o jogo a partir dos vinte minutos. Daquilo que ouvi, parece que o Nacional da Madeira ainda chegou a criar algum perigo durante esse período. Do que vi, gostei.

Vi o jogo no Flávio, como de costume. Os meus colegas sportinguistas de café nestas jornadas viram o jogo à beira de um ataque de nervos. Insultaram os jogadores do princípio ao fim, como se eles os estivessem a ouvir. Sofreram a bom sofrer, com permanentes ataques de ansiedade.

Os meus celgas de café não estavam sozinhos na ansiedade. Os jogadores também estavam um pouco ansiosos. Demoram a pegar no jogo. Mas, depois disso, estiveram todo o resto do tempo da primeira parte em cima da área do adversário. Por uma razão ou por outra, não marcámos o que parecia fácil. O Slimani continua oportuno e com excelente jogo de cabeça, só que agora deixou de acertar. Acontece. Passará quando enfiar uma batata lá dentro na próxima oportunidade.

Na segunda parte não melhorámos. Deixamos de criar tantas oportunidades. Mas, em contrapartida, só demos uma abébia ao Nacional, para grande defesa do Patrício. Mesmo sem jogar bem, controlámos o jogo. Nos últimos vinte e cinco minutos, pelo menos, o Nacional nem sequer chegou perto da nossa baliza, quanto mais ter oportunidade para rematar.

Num jogo difícil, em que tudo parecia correr mal, mantivemos a cabeça fria. A justiça fez-se com a cabeça também. O Ewerton andava a ameaçar nos últimos jogos. É o típico centralão brasileiro de que gosto. É bom jogador e tem cara de meter medo.

Não fizemos um jogo extraordinário. Limitámo-nos a ganhar e a não tremer nos momentos decisivos. As grandes equipas são assim: são competentes. Ganham a jogar bem ou a jogar assim-assim quando importa. Sobretudo, ganham.

Quando regressei a casa, como se costuma dizer, mandei a patroa começar a tratar do farnel.Estamos no Jamor por direito próprio. Em princípio seremos acompanhados pelo Braga. Nós eliminámos o Porto no Dragão com três batatas. O Braga aviou o Benfica na Luz. Vão estar no Jamor as duas melhores equipas. Sobre isso ninguém tem nenhuma dúvida.

domingo, 5 de abril de 2015

Displicência

Vi o jogo de ontem, contra o Paços de Ferreira, em Cabeceiras de Basto. Obrigações da Páscoa assim o determinaram. Saí do Café Cabeceirense, onde vi o jogo, enquanto comia um prego no prato, com a maior das irritações. O caso não era para menos.

Foi dos jogos mais fáceis do campeonato. Porventura, o mais fácil. Não o ganhámos porque que não quisemos. Há o azar, que costuma explicar muitas coisas. Mas, desta vez, não explica. Falhámos golos por displicência. Não criámos mais oportunidades de golo por displicência. Sofremos o golo por displicência.

Alguns jogadores não respeitaram o adversário. Não respeitaram os adeptos. Não respeitaram o clube e a direção que faz os possíveis e os impossíveis para lhes pagar os salários. É por estas que considero que o Marco Silva não tem mão nos jogadores.

O João Mário, depois de algumas brincadeiras que protagonizou em outros jogos, para mim, já tinha ido para o banco. Não vai para o banco, ninguém lhe diz nada, e o menino continua a brincar com o clube, com quem lhe paga e com os seus colegas.

Para não escrever irritado, deixei esta nota para hoje. Cheguei ontem a casa e revi o jogo de andebol do Sporting contra o ABC. Hoje voltei a ver o segundo jogo. Demos duas sovas no ABC. Demos, porque fomos agressivos, defendemos bem e não andámos a brincar; em poucas palavras, os jogadores e a equipa queriam ganhar. O ABC é uma grande equipa. Não é propriamente o Paços de Ferreira do andebol português. Espero que assim continuem. Se não for por outra razão, para que os nossos jogadores de futebol vejam em quem ganha muito menos do que eles o profissionalismo que lhes falta.


(Quando escrevi este "post" não tinha lido nenhum dos blogues habituais de sportinguistas. Li agora. O tom é o mesmo. Parece que vimos todos o mesmo jogo. Ainda bem. Espero que os jogadores e o treinador o revejam para verem o que, aparentemente, todos vimos)

terça-feira, 31 de março de 2015

VEM

Quando o tédio é muito, até ver Portugal contra Cabo Verde pode ser uma boa forma de o matar. O jogo foi muito revelador. Foi tão revelador que percebi o alcance do programa VEM lançado recentemente pelo governo.

Mesmo sem o VEM, já o Fernando Santos tinha vindo. Com o VEM, o Rui Águas virá mais depressa do que ele próprio esperava.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Seleção nacional

Tenho as mais sérias dúvidas sobre o interesse desportivo das competições das seleções nacionais de futebol. O que não tenho dúvidas nenhumas é sobre o interesse das fases de apuramento. Cada vez são mais as seleções que passam à fase final. A fase final dessas competições transformaram-se em grandes empreendimentos comerciais.

Ontem, acordei cedo e fui fazer uma caminhada nas terras de Basto. Cheguei a casa cansado. Ainda tentei ver o jogo da nossa seleção contra a Sérvia. Começámos praticamente a ganhar. Se o jogo já tinha todas as condições para ser uma chatice, então, depois do golo, tornou-se completamente sonolento. Dormitei o tempo todo. Ainda entreabri os olhos para ver um ou outro lance.

O golo do Matic acordou-me definitivamente. Grande mérito do Matic que apanhou o Eliseu a dormir. Logo a seguir fizemos a única jogada decente e marcámos o segundo golo. Ainda me mantive acordado mais uns minutos. Mas vi logo o que é que o jogo ia dar. Continuei a dormitar. Só entreabri novamente os olhos para confirmar o resultado final.

O Fernando Santos é especialista neste tipo de apuramentos. Nada de entusiasmos. Jogam sempre os mesmos. De preferência os mais maduros. No fim, com sangue suor e lágrimas, lá se consegue o apuramento. Na fase final segue-se mais do mesmo. Não acontece nenhum desastre, mas também ninguém se chega a empolgar. Acaba a competição e renova para a próxima e assim sucessivamente até a malta se aborrecer em definitivo.

terça-feira, 24 de março de 2015

A normalidade e o campeonato

A nossa classificação reflete erros próprios. Demorámos uma eternidade para encontrar uma dupla de centrais decente. Empatámos uns jogos em casa que não lembram ao menino jesus. Entusiasmámo-nos nas competições europeias e não fizemos a necessária gestão da equipa. Muitos erros podem ser apontados.

Agora, os nossos principais adversários não têm um percurso isento de erros. Só que, em certas circunstâncias, acabou sempre alguém por os salvar e, noutras, por não os enterrar. Esta dualidade é completamente visível no que ao Benfica diz respeito. O Benfica tem uma equipa que não é brilhante, destacam-se dois ou três jogadores, jogou mal em muitos jogos e, apesar disso tudo, lá foi somando os pontinhos do costume.

Num campeonato normal não estaríamos a nove pontos do primeiro. Estaríamos provavelmente a seis. E esse primeiro não seria o Benfica. Nos jogos disputados com os principais adversários, só o Porto, e por uma vez, demonstrou que era melhor equipa do que a nossa. É neste contexto também que temos de avaliar o atual desempenho do Sporting.

domingo, 22 de março de 2015

Contas saldadas

Havia umas contas para resolver com o Guimarães. O jogo da primeira volta ainda não estava completamente digerido. Aviámo-los na Taça da Liga com uma equipa de miúdos. Mas era pouco. Era preciso resolver estas contas em definitivo. As contas estão saldadas e não se fala mais nisto. Na próxima época há mais.

O jogo começou meio repartido. O Guimarães até aparecia mais no nosso meio-campo. Só que o Guimarães não deixa de ser a típica equipa portuguesa: com a bola nos pés fica sem a noção de onde fica a baliza. Na primeira oportunidade, grande cruzamento de Carrillo e cabeceamento do João Mário para o fundo da baliza. O último golo que o João Mário marcou de cabeça foi com o ombro. Há uma melhoria que se assinala.

O jogo ficou decidido. O Guimarães não tem capacidade para assumir as despesas de um jogo e jogar em ataque continuado. Era uma questão de tempo para aparecerem mais golos. O segundo resultou de uma remate espantoso do Miguel Lopes à barra, seguido de uma defesa ainda mais espantosa do guarda-redes depois de uma remate do Nani que, após um bom passe do João Mário, rematou mais uma vez, tendo um defesa cortado a bola com o braço. O penalty é dos modernos. Fico sempre na dúvida. É daqueles que os árbitros marcam conforme lhes dá na real gana. O Adrien fez o serviço de costume. Há quem goste e quem não goste do Adrien. As opiniões são irreconciliáveis. Só há consenso sobre a competência do rapaz para marcar penalties.

O terceiro resultou de uma jogada notável do Miguel Lopes que, depois de ganhar a linha, centrou para o sítio certo e com velocidade adequada, permitindo o golo de cabeça do costume do Slimani. Sempre que alguém contraria o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a bola vai para a cabeça do Slimani o resultado é sempre o mesmo.

Na segunda parte havia duas hipóteses. Ou a rapaziada do Sporting se enchia de brios e tentava a goleada ou, então, fazia o que fez, deixava correr o marfim, enquanto o Guimarães fazia de contas que ainda estava a disputar o jogo. A segunda hipótese era a mais plausível. A rapaziada do Sporting está em modo de fim-de-época e, portanto, está toda a pensar se o Jorge Mendes ou outro do género lhe arranja qualquer coisa. Se o Rojo foi para o Manchester, qualquer outro jogador tem aspirações a chegar ao Barcelona, ao Bayern ou ao Real Madrid.

Assim, a segunda parte foi uma seca. Andámos a fazer de contas que estávamos a jogar. O Guimarães cumpriu a sua parte também, fazendo de conta que também estava a tentar fazer alguma coisa. Só houve dois momentos. O penalty, resultante de uma trapalhice do Mané e do defesa do Guimarães. Mais uma vez, tenho as minhas dúvidas sobre a decisão. O Nani pediu para marcar e marcou bem. O golo deve servir para uma estatística qualquer que lhe permita regressar ao campeonato inglês ou a qualquer outro onde se jogue, de facto, à bola. O golo do Guimarães. Não tem mal nenhum sofrermos uns golos de vez em quando. Devíamos era evitar sofrer golos ridículos.

Este jogo não deu para tirar grandes conclusões. O Miguel Lopes esteve bem. Esteve nos três primeiros golos. Parece mais lúcido que o Cédric, que põe os olhos no chão e corre como se não houvesse amanhã. O Ewerton esteve bem também. O William Carvalho esteve ao seu nível. É aproveitar que, ou muito me engano, ou, para o ano, estará noutro lado qualquer. O Adrien atrapalhou sempre que teve oportunidade. O Nani não esteve brilhante. O Carrilo esteve intermitente. Agora, no primeiro golo, fez um cruzamento só alcance dos predestinados. O Slimani esteve lá para fazer os estragos do costume. Agora, neste jogo, contrariamente a outros, cada vez que o cântaro ia à fonte ficava lá sempre a asa (esta “punch line” está ao nível de um acórdão de um tribunal superior em qualquer lado do Mundo).

(O árbitro mostrou amarelos como se estivéssemos em presença de uma batalha campal. O segundo amarelo ao Paulo Oliveira e o do Mané são ridículos)

sábado, 21 de março de 2015

Mais ou menos um

Jogar contra onze é mais difícil do que jogar contra dez. Pelas mesmas razões, jogar com dez é mais difícil do que jogar com onze. Daqui se conclui que, mesmo por pouco tempo, mais ou menos um pode fazer a diferença. O Benfica sabia isso, mas não o valorizava devidamente. Hoje, valorizará muito mais.

quarta-feira, 18 de março de 2015

O feito estava feito

Depois de ler o “post” de ontem, o meu amigo Júlio Pereira chamou-me à atenção para a injustiça que estava a cometer. Na época de 2009/2010 o Benfica jogou 17 jogos contra dez num total de 30 partidas para o campeonato. Nessa época disputaram-se 480 jogos com 86 expulsões, o que dá uma média de expulsões por jogo de aproximadamente 18%.

A probabilidade de ocorrência desta série de jogos a jogar contra dez é de aproximadamente 0,0002%. Não vale a pena fazer aqui os cálculos. Em 2009/2010, eram necessários cerca de 1,7 jogos para haver uma expulsão dos adversários do Benfica. Esta época, este rácio vai em 2,3 jogos. É uma diferença significativa, apara além do facto de nessa época a probabilidade de ocorrerem expulsões ser também menor (18% contra 21%).

Matematicamente ainda é possível bater o recorde da época 2009/2010? Claro que sim. Era necessário que se registassem mais dez expulsões nos nove jogos que faltam. Não basta uma expulsão por jogo. São necessárias 1,1 expulsões por jogo.

É necessário continuar a tentar, jogo a jogo, até ao final da época. Mas não quero gerar falsas expetativas. Não me parece que seja possível bater recorde de 2009/2010. Outras épocas virão. Outras tentativas se irão fazer. Não tenho nenhumas dúvidas quanto a isso.

terça-feira, 17 de março de 2015

O Benfica contra as estatísticas

O facto de o Benfica jogar sistematicamente contra dez tem-me deixado intrigado. Lancei o desafio à minha filha de calcular a probabilidade de tal acontecer. A minha filha disse-me que isso se resolvia com uma distribuição binomial e mandou-me à fava. Tive que voltar aos livros de estatística.

No campeonato, até ao momento, registaram-se 98 expulsões em 450 jogos. Admitindo alguns pressupostos simplificadores, como a existência de uma só expulsão por jogo, determinando uma probabilidade de ocorrência de aproximadamente 21%, e de, nos jogos contra o Benfica, as expulsões serem sempre da equipa adversária (o que corresponde praticamente à verdade), verifica-se que a probabilidade de o Benfica jogar contra dez em 11 dos 25 jogos disputados é dada pela seguinte expressão:

[25!/(11!x14!)]x0,21^11x0,79^14 

O resultado é o que esperava. Nada mais, nada menos do que 0,75%. Isto é, a probabilidade não chega a 1%.

Os grandes feitos da humanidade fizeram-se contra todas as estatísticas. Amundsen descobriu o Polo Sul e regressou para contar a história contra todas as probabilidades. Cavaco Silva foi dez anos Primeiro-ministro e dez anos Presidente da República quando a única coisa que desejava era fazer a rodagem de um Citroen até à Figueira da Foz.

Os benfiquistas, e com toda a razão, estão orgulhosos da sua história. Estão orgulhosos do belíssimo campeonato que estão a fazer. Mas o grande feito, aquele que fica para a história da humanidade, é jogar 11 em 25 jogos contra dez. Ninguém no Mundo os igualou ou igualará. Eu, como português, estou orgulhoso também.

domingo, 15 de março de 2015

O Sporting, o Marítimo e o Comissário Maigret

Georges Simenon coloca Maigret, no seu primeiro caso, a tentar desvendar um homicídio há muito ocorrido e que tinha sido dado como encerrado no 36, quai des Orfèvres. Sempre empenhado e sagaz o futuro comissário é chamado ao seu superior que lhe transmite que a descoberta do suposto homicida não interessa a ninguém; nem ao morto interessa.

Pelos vistos, este jogo contra o Marítimo também não interessava a ninguém. O interesse em participar na Liga Europa é pouco ou nenhum. Para a maior parte das equipas, como o Marítimo, é uma ruína. O Sporting precisava de ganhar por dever de ofício. Depois do golo, o resultado passou a interessar a ambas as equipas. O tempo, solarengo, também convidava a alguma preguiça. O comentador da SportTV era o único que mostrava ansiedade com o desenrolar do jogo. Por ele, aquilo não ficava assim.

Não há muito a registar, portanto. Grande defesa do Patrício na única oportunidade de golo do Marítimo. O João Mário faz tudo bem menos rematar à baliza. O Nani deu um nó no defesa direito que o deixou a coxear. O Rosell não é o William Carvalho, mas, hoje, deu para disfarçar. O Adrien fez uma coisa bem feita. Aliás, a única coisa que sabe fazer bem, que é marcar penalties. Não desgostei do Ewerton. Não parece ainda em forma, mas, na parte final, quando o Marítimo decidiu jogar à biqueirada para a frente, limpou tudo o que havia para limpar.


(Os treinadores costumam divulgar com antecedência o onze titular. Contra o Benfica, devem começar a divulgar não o onze mas o dez titular. Ninguém tem dúvidas que dão ordens explícitas a um dos seus jogadores para arranjar maneira de ser expulso. Depois do meu último “post” e dos comentários que recebi, só se pode entender esta sequência de jogos a jogar contra dez desta forma)

sábado, 14 de março de 2015

Um cisne negro que parece mas não é

Os cisnes negros, para Nassim Taleb, são fenómenos completamente imprevisíveis. A probabilidade de ocorrência não é possível de determinar, porque não existe inferência estatística que nos proteja do que não conhecemos, mas que pode sempre existir ou acontecer.

Jogar contra dez, de acordo com os dados disponíveis, não é um acontecimento altamente provável. No entanto, existe uma probabilidade não negligenciável. Jogar sistematicamente contra dez, é altamente improvável, mas, mesmo assim, previsível. Só que a probabilidade de ocorrência é praticamente nula. Não é, pois, um cisne negro.

Hoje o Benfica jogou contra dez outra vez. A probabilidade de ocorrer neste jogo não era negligenciável. A probabilidade de ocorrer depois de todas as outros jogos a jogar contra dez era praticamente nula. Só que os acontecimentos deste tipo não se devem ao acaso. Aliás, nada é deixado ao acaso.

terça-feira, 10 de março de 2015

Um mau filme

Este jogo contra o Penafiel teve tudo o que costuma ter um mau filme. O argumento foi péssimo, os atores deploráveis, os realizadores piores do que maus.

Quando cheguei ao Flávio, estávamos a ganhar por dois a uma e a jogar com menos um. O Tobias Figueiredo foi um passarinho. Bastava ter acompanhado o tal de Guedes. Esse rapaz arranjaria sempre maneira de não marcar golo. Aliás, o Sarr, no jogo em Penafiel, depois de uma barracada monumental, em que deixou a bola passar-lhe por cima, limitou-se a pressionar o rapaz e ele acabou em desespero por nos ganhar um pontapé de baliza. Mas adiante.

Depois da expulsão o Marcos Silva ficou hesitante. A ideia de recuar o William Carvalho, contra uma equipa como a do Penafiel, não é má. Só o é porque entrega a cobertura defensiva do meio-campo ao Adrien. O Adrien consegue sempre a proeza de não estar no sítio certo quando é preciso. Levámos o empate depois de uma carambola na nossa área e no segundo remate à nossa baliza.

O Marcos Silva demorou a aprender, mas a muito custo lá tirou o inútil do Adrien. A equipa ganhou algum controlo de jogo e procurou pressionar mais à frente. Só que não havia velocidade. Muita troca de bola, mas pouca agressividade e vontade de marcar. Sai o Mané e entra o Carrillo. A substituição habitual. O Carrillo tira da manga um cruzamento notável para a entrada do Nani que, de cabeça, coloca-nos na frente.

O jogo estava arrumado e ainda mais arrumado ficou com a expulsão do lateral direito do Penafiel. Há um grande erro nessa expulsão. Esse jogador devia ter sido expulso quarenta minutos antes. Quando leva o primeiro amarelo, devia estar a levar o segundo. Na segunda parte corta um lance com o braço com o árbitro a fazer de conta que não viu.

Mas o pior estava para vir. A minuto e meio do fim, com o Penafiel a jogar com nove, o pateta do João Mário, em vez de segurar a bola e a trocar com os seus colegas, resolve fazer um remate à baliza de fora da área. Pontapé de baliza, disputa de bola entre um jogador do Sporting e outro do Penafiel, livre contra o Sporting, biqueirada para dentro da área, o ai-jesus do costume e por pouco o Penafiel não empatou. Valeu-nos São Patrício.

A insistência no Adrien, associada ao desplante de tentar marcar um golo de calcanhar, o remate disparatado do João Mário, que ainda sorriu, leva-me cada vez mais a pensar que o Marco Silva não tem mão no balneário. Jogam os que jogam porque são eles que fazem a equipa. Uma asneira como a do João Mário devia dar direito a banco no próximo jogo. O Adrien há muito que devia estar no banco também. Não há competitividade na equipa. Jogam sempre os mesmos, independentemente do momento de forma. A equipa arrasta-se cada vez mais e falta ânimo.