sábado, 21 de setembro de 2019

Soltas da semana

[Sensibilidade de uma porta] 
Ficámos a saber que o Bruno Fernandes procurou explicar a uma porta do balneário do Estádio do Bessa o arraial de pancada que tinha levado dos jogadores do Boavista. A porta não aguentou o drama e cedeu. 

[Nascimento de um mito] 
Perdemos fora três a dois contra o PSV Eindhoven. A eliminatória está bem encaminhada, bastando um a zero em casa. Entretanto, nasceu um mito. O Bas Dost precisava em média de noventa minutos para marcar um golo. Em média, o Pedro Mendes só precisa de dez. 

[Tão grande para um país tão pequeno] 
Domingos Soares de Oliveira, Vice-presidente da Benfica SAD, concluiu que o Benfica é demasiado grande para um país tão pequeno, necessitando de se internacionalizar. É uma pena os tribunais portugueses não deixarem, obrigando a continuar a jogar o campeonato nacional. Num país da dimensão do Benfica, o João Félix teria sido vendido pelo dobro ou o triplo do valor. Num país como Portugal, não se arranja um adversário à altura nem se organiza um casamento barato em condições. 

[Banho tático] 
Acabado o jogo contra o Portimonense, o Sérgio Conceição, vociferando, encheu o Nakajima de perdigotos. O jogador manteve-se impassível, compreendendo o que lhe era dito ao mesmo tempo que agradecia terem-no deixado aquecer para tomar banho.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Ontem foi dia de Liga Europa

Farmácia, dealer, tentei a moderna drugstore, fui ao arquivo e vi vários episódios de Monty Python's Flying Circus, League of Gentlemen, e por aí fora, nenhuma dose de humor por maior que fosse conseguia apaziguar a minha alma, o meu espírito, já para não falar de um cérebro ressacado de tanto aumentar as doses. Ontem foi dia de liga Europa e obviamente perdemos. Sofremos três golos. Sofremos sempre golos. A defesa, bom não quero pensar nisso, são jovens e inexperientes aqueles centrais (risos), e o quarteto nunca tinha tocado junto, bem sei. Mas é a equipa toda que quando defende se desorganiza de uma maneira que qualquer adversário, qualquer um, marca um golo ou dois. A desorganização da equipa a atacar permite ao menos desestabilizar o adversário, e aquele adversário é frágil como se viu, a defender. E não só.

Mas enquanto se cumpria a minha demanda da dose de humor, pensava na loucura deste inicio de época supostamente planeado ao pormenor. Jogadores a saírem no último dia de mercado. A inexistência  de um ponta de lança na ausência de Luiz Phellype. A não inscrição de Pedro Mendes na liga, o que nesta conjuntura é uma mensagem esclarecedora para os outros jovens. Tudo isto cheira a amadorismo e a remates de meia distância de Bruno Fernandes.E  o homem começa a perder a paciência. E é pena, esta equipa tem pernas para andar, mas quando deixar as muletas já estaremos a planear com afinco a próxima época. É uma estratégia que dá sempre frutos.

Agora vou ali aplicar uma boa dose:

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Hoje é dia de Liga Europa

Mas não parece. Não é preciso ser um expert em propaganda e marketing futeboleiro, nem sequer em (des)informação, para perceber que alguns jornais continuam o seu trabalho de cepa em prol de um jornalismo colorido e sensacionalista, mas com uma agenda bem definida. O jornal A Bola, cada vez mais um verdadeiro sucedâneo de O Benfica, faz hoje manchete (gigante) com o guru Domingos Soares Oliveira e as contas positivas do Benfica. Até se fala de aumentar a capacidade do estádio da Luz. Isto no rescaldo da derrota (qual derrota?) para a champions e em dia de liga Europa. O Record também tem uma capa criativa, dando destaque ao Sporting para poder destacar (desculpem a redundância) um (suposto) pontapé de Bruno Fernandes a uma porta (este pormenor é importante) no final do jogo do Bessa. Não consta que este tenha voltado a ser expulso. Curiosamente, o mesmo pontapé surge na capa dos pontapés diários: o Correio da Manhã. Nada de novo, portanto. Nada a não ser o dia escolhido: dia de liga Europa. O pontapé não terá sido fotografado ontem, nem anteontem, nem no dia anterior a esses. Foi no domingo. Não foi? 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

É de cortar as veias!

Vi o jogo do Benfica contra o Leipzig. Pagar 20 milhões de euros por um nabo espanhol delambido, que nem sequer anda rodeado de raparigas simpáticas, tatuadas e decoradas com “piercings” nem canta “reggaeton”, é de cortar as veias para um qualquer benfiquista. O Varandas não acerta no futebol, mas não erra em tudo. Depois de um curso rápido de cativações com Mário Centeno, ainda fica uma ou outra rotunda ou um ou outro pavilhão multiusos, mas, pelo menos, procura não nos deixar o Aeroporto de Beja ou o Centro Cultural de Belém.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

A mão invisível

“Se me perguntarem se prefiro o Sporting 18 anos sem ganhar um campeonato ou um Sporting a ganhar com um bom investidor, confesso que prefiro a última” 
Henrique Monteiro, “A Bola” de 12 de setembro de 2019 

Ontem, quando estava a ver o jogo contra o Boavista, veio-me à cabeça esta tirada do Henrique Monteiro. Talvez precisemos mesmo de um investidor, mas não de um investidor qualquer, de um investidor que queira simplesmente investir por falta de melhor altrnativa. Precisamos de um investidor que queira mesmo o seu dinheiro de volta acrescido de adequada remuneração e esteja disposto a tudo para que assim seja. 

O Henrique Monteiro acredita na metáfora da mão invisível do Adam Smith. Não precisamos da benevolência de um investidor, mas do seu interesse próprio. Não apelamos ao seu humanitarismo mas à sua autoestima. Se assim for, em seu benefício, conduzir-nos-á a todos (os sportinguistas) à felicidade eterna como se houvesse uma mão invisível. 

Quando o Bruno de Carvalho se candidatou à presidência do Sporting pela primeira vez, anunciou que trazia com ele investidores russos. Nada melhor do que investidores russos para defenderem o seu interesse próprio. Têm-no feito com todas as mãos disponíveis, invisíveis porque ou alguém fica sem elas ou nunca se chega a saber de quem são. 

Imagino uma mão invisível do Samuel L. Jackson a recitar Ezequiel 25:17 na sua versão muito própria: “The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men. Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness, for he is truly his brother's keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers. And you will know my name is the Lord when I lay my vengeance upon thee”.

sábado, 14 de setembro de 2019

Ilicitude lícita ou ilícita licitude?

O caso do Benfica é emblemático. A SAD não irá a julgamento no caso E-toupeira e não é por não existirem provas para o crime, um crime aliás gravíssimo. Existem, diz o tribunal, e "o crime é cometido em nome da Benfica SAD e no interesse da Benfica SAD": Só que "a Benfica SAD não pode ser responsabilizada criminalmente se não se determinar que estava a par, quis e pretendeu, por acção ou omissão, as condutas de Paulo Gonçalves". Portanto, há crime, beneficiou o Benfica, foi feito em nome do benfica, mas Paulo Gonçalves agiu como um lobo solitário porque, conclui o tribunal,o Ministério Público não apresenta provas sustentadas sobre o envolvimento da SAD, baseando-se "em 'parece que', 'suponhamos', ou é 'da experiência comum', pois tal não leva a nenhuma verdade processualmente satisfatória". Maior sova no ministério público não poderia o juiz dar. 
Pedro Santos Guerreiro (Expresso)


Não existe uma moral desta história.  Existe crime mas foi mal provado ou mal sustentado. Logo não existe crime. Quer dizer, existe mas apenas para alguns dos intervenientes. Os outros não sabiam de nada. Quer dizer, até podiam saber, mas não se fica bem a saber se sabiam. A partir de agora já sabemos. Basta um ou dois bodes expiatórios que o ministério público (supostamente) faz o resto.  Talvez seja a tal história da ilicitude lícita ou da ilícita licitude. Temos muito que aprender. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Silogismos

[Silogismo aristotélico] 
 Os gatos têm quatro patas? Têm. O Marcolino é um gato? É. O Marcolino tem quatro patas? Tem.

[Silogismo pós-aristotélico] 
O homem era dirigente da organização? Era. O homem respondia hierarquicamente à direção da organização? Respondia. Há indícios da prática de crimes? Há. Nesses eventuais crimes recorreu a recursos da organização? Recorreu. Esses eventuais crimes beneficiavam a organização? Beneficiavam. A organização é responsável? Não.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Atentamente

Não me admira que o senhor do Porto não esteja admirado. Não admira, o apito dourado teve o seu tempo de admiração. Aliás, não me admira que o e-toupeira não admire ninguém. Tudo somado vai dar à rua do costume que ninguém conhece. Não admira. O que me admira, a mim, é o Sporting ser tão solicito a admirar-se com os seus. Sejam estes quais forem. Temos uma história da admiração para escrever, em vários volumes. Em casa tudo bem. O resto fica alinhavado num comunicado. Temos por aqui várias ideias para comunicar que antecedam esse comunicado. Nas entrevistas recentes do (nosso) presidente, ou nos seus arredores, nada nos indica um caminho nesse sentido. Não estou admirado. Tudo o resto é uma soma de não admirações. Não se admirem com o resultado. Será sempre o mesmo. Obrigado. 

domingo, 8 de setembro de 2019

Uma varanda para a outra margem?


Sou do tempo em que as marquises começaram a confundir-se com as varandas e a fazerem parte das nossas vidas. Uma varanda com marquise era mais uma assoalhada a não desdenhar, um aproveitamento do espaço que se fazia à revelia de qualquer sentido estético e sem qualquer (até dada altura) fiscalização das autoridades competentes. Mas uma varanda com marquise não deixava de ser uma varanda, só que com marquise.

Sou um tipo com memória, daqueles chatos que ainda vai lendo umas coisas, daqueles que passou anos a coleccionar revistas, suplementos, a recortar crónicas e a guardá-las como trevos em livros. Nesse sentido, a internet até passou a facilitar-nos a vida, no entanto, com as redes sociais tudo arde mais depressa, inclusive a memória. Mas isso não implica que as coisas (e as palavras) deixem de existir, sucede apenas que ficam por aí, algures.

A entrevista do presidente do Sporting ao canal do clube (passei algum tempo a revê-la e a lê-la), é um desses momentos encenados (todas as entrevistas o são de alguma forma) cuja impreparação de todos os intervenientes roça o amadorismo. Para além de tudo ou quase tudo ser refutável e comprovadamente (lá está a memória e o algures) desmontável, perdeu-se uma oportunidade de luxo para uma demarcação clara do clube no contexto do futebol português. A visão do inimigo interno (qual é a novidade?) foi condescendentemente aplaudida pelo sr. Rui Pedro Brás, perdão, pelo sr. Luís Filipe Vieira. As palmadinhas nas costas de Pinto da Costa já são um clássico.

Dizer o contrário daquilo que dissemos ontem, ou anteontem, não é sinónimo de tontaria, já sabemos o blá blá do futebol, mas dizê-lo confiando que ninguém se recorda daquilo que foi dito, ou agindo como se nada tivesse sido dito, ou pior, fazendo-o como se estivesse a palitar os cérebros dos outros com uma linha condutora perfeitamente definida, não é apenas tontice, mas de uma inabilidade que roça a inaptidão.

Não me ia sequer debruçar sobre essa varanda, mas o Expresso de ontem, lá para a página 35 faz bem essa desmontagem e em poucas linhas. Qualquer subcontratado das pesquisas avulso faria o mesmo. Por exemplo, a contradição sobre a contratação de keizer, alicerçada nos famosos 4 parâmetros definidos pela direcção, supostamente obedecendo a uma busca exaustiva, afinal, foi assim: Keiser aceitou entrar em Alvalade quando nenhum outro treinador queria. Parece que não foi despedido no final da época por que ninguém despede um treinador que ganha duas taças. Para não ser aborrecido podem ler o texto aqui.

Mas o mais importante das entrevistas não foi o que foi dito mas aquilo que (também) foi omisso ou esquecido. Que o futebol cá do burgo tem uma direção bicéfala, não havendo lugar para mais ninguém (muito menos para o Sporting como se tem visto). Nenhuma palavra para o jogo com o Rio-Ave, o último de Keizer, onde a equipa esteve mal, é certo, mas foi muito bem secundada pelo árbitro. Ou alguém acredita que aquilo fosse possível na Luz ou no Dragão? Nada, nem uma palavra.

O facto de termos construído uma marquise a engalanar a varanda não esconde essa mesma varanda. Se calhar, é a mesma varanda de sempre. Até nisso é chato um tipo ter alguma memória.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Keizer: uma boa escolha

Contrariamente a muito boa gente, continuo a considerar que o Marcel Keizer foi uma boa escolha. Por defeito de ofício, começo sempre por analisar resultados e só depois é que passo à sua explicação. A época passada tinha tudo para ser um desastre. Com o Peseiro, a profecia tinha tudo para se cumprir. Não eram só as suas qualidades técnicas e táticas como treinador, das quais desconfio e muito, face aos resultados ao longo da sua carreira e, em particular, nos tempos mais recentes, no Porto ou no Guimarães. Era pela completa desconfiança no seu trabalho, que ia dos jogadores até aos porteiros de Alvalade. 

O Marcel Keizer era uma incógnita mas uma incógnita holandesa, sempre superior a uma incógnita portuguesa, por definição. Para além de dispor do benefício da dúvida, coisa que ninguém se lembraria de conceder ao Peseiro, começou por ser uma lufada de ar fresco e deu-nos ânimo. Depois tudo começou a piorar mas ainda ganhou duas taças. Uma época condenada ao desatino acabou por ser bastante razoável para o padrão do Sporting. 

Como costuma dizer o Pedro Azevedo, do Castigo Máximo, a gestão comprou tempo. O problema é que parece não ter feito grande coisa com ele, não resolvendo os problemas que tinha para resolver e não planeando adequadamente a época nas atuais circunstâncias (sobretudo, económico-financeiras). A equipa não dava mostras de evoluir e os jogadores pareciam não acreditar. Um treinador é sempre primeiro despedido pelos jogadores e só depois pela direção. O tempo que se ganhou esgotou-se e assim o tempo de Marcel Keizer também. Nada de novo. O Paulo Bento fez um feito destes mas em maior. Com umas equipas horríveis, ganhou quatro anos à direção, até passar de “forever” a “never” em menos de um fósforo. 

Como no futuro todo o passado nos parece melhor e como no futuro ninguém se lembrará como se jogava tão mal e se lembrará dos resultados e das duas taças, estamos condenados a acabar por ter saudades dele. Nada de novo, mais uma vez.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Fácil, fácil!...

O Sporting não me apetece ou não me tem apetecido. Não vi os dois primeiros jogos do campeonato. Vi o terceiro e o quarto por desfastio. Voltei a ver o costume com as explicações do costume. Vi uma jogada de ataque do Sporting que acaba com a bola recuperada pelo jogadores do Portimonense, vi-os perder a bola, vi uma falta, vi marcar livre, vi marcar “penalty”, vi marcar uma falta que não vi e vi marcar um livre pela falta que não vi. Vi marcar um “penalty”, vi marcar outro “penalty”, vi marcar outro “penalty” ainda e vi o que nunca tinha visto e o que nunca se tinha visto. Tudo me foi explicado minuciosamente como se não tivesse visto o que vi ou não compreendesse o que vi, como se fosse cego ou estúpido. Não sou cego, mas estúpido, por ainda continuar a ver o que vejo. 

A culpa é do treinador, deste, do anterior e do anterior do anterior. A culpa é dos jogadores, destes, dos anteriores e dos anteriores dos anteriores. A culpa é da direção, desta, da anterior e da anterior da anteriores, pelo menos. Fácil, fácil!... 

O Pinto da Costa confidenciou que se enganou no nome do treinador anunciado e, como não queria voltar com a palavra atrás, veio o Carlos Alberto Silva em vez do Carlos Alberto Parreira. Ficámos a conhecer duas das suas facetas: era muito religioso e aceitava de bom grado as substituições propostas pelo Pinto da Costa. Esteve duas épocas e ganhou dois campeonatos. Fácil, fácil!... 

O Jesus era o Rei da Tática, o maior entre os maiores e depois não era porque era treinador do Sporting. O Rui Vitória conduzia Ferraris, batia recordes, fazia pisca-pisca à noite quando o Luís Filipe Viera tinha insónias e depois queria-se desfazer do João Félix. O Bruno Lage bateu novos recordes, deu novos mundos ao Mundo, tocou no João Félix e ele levantou-se e andou. Fácil, fácil!...

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Todos pela Amazónia


(...) para seu espanto, percebia que, na verdade, não eram dadas ordens nenhumas e que o príncipe Bagration apenas fazia de conta que tudo o que era feito por necessidade, por acaso ou por vontade deste ou daquele comandante acontecia, se não por ordem dele, pelo menos de acordo com as suas intenções. 

Guerra e Paz, Lev Tolstói 

Estivesse eu com o bom humor em alta e faria referência ao hat-trick do Coates, mas deixo isso para a imprensa desportiva sempre atenta ao Sporting quando as coisas correm de feição. O Coates, já o disse aqui, ainda está de férias, e culpa tem quem o mete a jogar fora dos areais.

Posto isto, temos que abordar o tema referente à família Pinaceae, a dos pinheiros. Neste caso, não se trata (ainda) do avançado que um antigo treinador do Sporting queria como referência estática atacante, não, mas do Sr.Pinheiro, ilustre dignatário da arbitragem que nos foi oferecida este sábado passado.

Três pontapés de grande penalidade em Alvalade? Acho pouco. Ficou a faltar um sobre o Raphinha, mas esse, como o seu autor vai a caminho do Rennes relançar a carreira, o árbitro achou por bem não ver. Mais uma vez o VAR tinha ido ao BAR. É claro que o segundo penálti assinalado contra o Sporting é digno de um devaneio místico, apenas compreendido à luz de um consumo exacerbado de substâncias psicotrópicas, muito comuns em rituais perpetrados por algumas tribos indígenas, nomeadamente em festivais de música e em cangostas do Gerês.

Todavia, as visões místicas muito em voga em jogos do Sporting, não explicam tudo. Não explicam – embora o consumo de algumas dessas substâncias nos pudesse ajudar artificialmente em alguns momentos – o facto de, mais uma vez, a equipa dar a sensação que se tenha conhecido no dia anterior numa discoteca e marcado uma peladinha para as 19 h de sábado. Tudo ressacado obviamente.

O problema não é apenas a defesa, embora o Coates esteja ao nível do meu sobrinho que fez agora um ano, em termos de corridas de gatas. Qualquer treinador adversário percebe que este Sporting, entre linhas, depois das linhas, ao lado das linhas, seja em transições seja em memorandos para o mestre Fernandes, não sabe com que linhas (estejam elas onde estiverem) se cose. A minha avó era costureira, sei do que falo.

Sabe o treinador adversário, mas não sabe o nosso. Não sabe, mesmo depois de um estágio de quase um ano em pipas do melhor carvalho português. Não gostará da pinga? Gosta, mas não é especialista. Talvez fosse um bom funcionário público que em tempos treinou o Ajax jovem nas horas vagas e que, faltando melhor, treinou o Ajax menos jovem durante quinze dias. Depois foi para o Médio Oriente. O Rui Vitória tem por lá grande sucesso, tudo é possível.

Agora, é preciso ter olho para escolher um bom funcionário público exilado no Médio Oriente. Foi isso que fizemos. Não queremos cá especialistas. A começar pelos dirigentes. 

Todos pela Amazónia. Todos pelo Sporting.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

São Renan e o apóstolo Fernandes


Estou convencido que tudo não passa de uma estratégia para adormecer os nossos rivais e depois dar a estocada final. A venda do Bas Dost em fim-de-semana de jogo (daquela forma profissional) revela um amadurecimento da estrutura tão rápido que não tarda cai de podre. Keizer estará a par desse amadurecimento apenas se ler esta posta.

Sobre o jogo? Entramos a jogar contra o Braguinha, uma sucursal domingueira dos nossos rivais. Esse jogo durou 15 minutos. Depois entrou o Arsenal em campo para nos desvairar. Como é que o Arsenal entrou em campo? Faz parte da estratégia. O Apostolo Fernandes ainda se chegou à frente a ver se na próxima janela de transferências se atira com toda a convicção borda fora. Entretanto, São Renan, mesmo saindo dos postes com a convicção de uma laje de granito, lá foi chegando para todas as encomendas, destacando ainda mais a estratégia de enrolar os nossos adversários em permanentes brindes e outras minudências.

Isto de treinar para dar a entender aos outros que não se treina não é nada fácil, é mesmo tão difícil como gerir um clube dando a entender que não se gere mas gerindo pela calada, mesmo sem dar a entender que se gere. Faz tudo parte de uma estratégia. A coisa é tão perfeita que os jogadores das equipas adversárias falham golos com a convicção de que os iam marcar. Keizer ainda os enrola mais num novelo táctico cujo vértice é um Neto de avós desconhecidos e um Vietto que entra em campo para sofrer faltas. Nem que para isso tenha que esperar pelos adversários. Ainda gritamos pelo Krpan mas não fomos ouvidos. Faz tudo parte de uma estratégia genial.

Bem, ganhámos, diverti-me muito, mas agora vou descansar uns dias. Não aguento tamanha dose de genialidade.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

De ideias anda o mundo cheio


Numa música dos Mão Morta, banda de Braga, podemos escutar no refrão: tenho uma ideia, tenho uma ideia, vamos fugir. Talvez este refrão assente como uma luva sonora na alma sportinguista da atualidade. Mas fugir para onde? É uma boa questão.

Ter uma ideia não basta. Muito menos se for apenas uma. Já aqui escrevi que até eu sou capaz de ter duas ou mesmo três ideias numa semana. Ou até num espaço de tempo mais curto. Sem grande esforço. Jorge Jesus tinha uma ideia de jogo. Tinha igualmente um compartimento muito reservado no seu cérebro onde se idolatrava essa ideia, com velinhas e tudo. A sua ideia aos poucos transformou-se num ícone, e como todos os ícones, com velinhas e incenso à mistura, ultrapassou o próprio criador pela esquerda. Isto começou ainda no Benfica e passou por osmose para o Sporting. Na primeira época (lembro-me bem) aquilo quase que resultava por KO técnico, não fosse a fanfarronice do costume, desta vez não acompanhada pela máquina de propaganda bem oleada do Benfica, nem toupeiras que lhe valessem. Em Alvalade os animais são outros e nem sequer precisamos de inimigos. Bom, essa ideia que cristalizou num ícone foi depois o que se viu e continua a ver agora no ninho do Urubu.

Peseiro não tem bem uma ideia, faz uma pequena ideia de ter tido (algures no tempo) uma ideia aqui, outra ali, sendo que ambas não germinaram. Peseiro quase que ganhou uma vez. Mesmo sem ideias. Assim continuou. E agora verificamos que, às vezes, não fazer uma pequena ideia das coisas pelo menos não confunde os outros. Principalmente os jogadores. Sousa Cintra confunde-se com Sousa Cintra e isso diz tudo.

Quando o Keizer veio tinha uma ideia (talvez atá mais do que uma), não fazendo, no entanto, a mais pequena ideia de onde se ia meter. Talvez por isso lá foi ganhando despreocupadamente. Assim que as coisas (com alguma naturalidade diga-se) esmoreceram, leia-se, alguns resultados, Keiser caiu no erro de se aculturar rapidamente em vez de se adaptar. Keizer até tinha a ventura de não conhecer a língua, de não saber quem eram o Varandas, o Pinto, o Vieira, o Rui Santos, os emails, as toupeiras e os beija mãos. Teve aí uma oportunidade única de se estampar com grande pompa e circunstância e assim ficar nas nossas memórias à imagem de outros que se estamparam em grande sem nada ganhar, ficando para sempre nos nossos corações.

Mas não, Keizer, escutando vozes vindo não se sabe bem de onde, vozes melífluas, Keiser aculturou-se rapidamente, começou nele a medrar uma outra ideia, algo que se ouvia por aí em nome do pragmatismo, algo plantado para o agarrar à mediocridade de um jogo que entre nós se joga em todo o lado, inclusive no campo. Keiser perdeu-se nesse emaranhado de vozes difusas, perdendo-se com ele a identidade da equipa. A ideia nova não difere das velhas que todos conhecemos. Keizer foi aceite. Quase todos aplaudiram.

No defeso não se defendeu, não falou, não percebeu que nada estava a acontecer e que ninguém sabia, nem ninguém sabe ainda, como o plantel vai estar no final de Agosto. Keizer quando falou, disse que Vietto e Bruno não fazem sentido em campo. Que sobre Matteus Pereira o melhor é falarem com o diretor. Que devíamos jogar melhor. Não sei se keizer reparou que ninguém falou sobre ele, sobre o seu trabalho, que ninguém aparecia na fotografia a seu lado. Keizer nisso ainda não é tuga o suficiente. Ainda não percebeu. Mas já dever ter uma pequena ideia.

domingo, 11 de agosto de 2019

É aborrecido


Gosto particularmente de falar de futebol com um amigo meu, fiel Gilista. Sempre que reafirmo a minha desconfiança sobre a exigência (e a falta dela) no futebol do Sporting, ele contrapõe o fenómeno da desresponsabilização, processo com alguns anos que, no seu entender, levará inevitavelmente à inimputabilidade do plantel (e da estrutura) e à indiferença dos adeptos, no seu estádio último, claro, mesmo que estes continuem fieis.

A mim parece-me uma análise a não descurar, juntamente com a falta de exigência, estando ambas interligadas. Mas acrescento uma política de comunicação extremamente fraca e um descuido de linguagem (e conhecimento) brutais. Veja-se a utilização da palavra “chato”. Chato poderá ser um parasita, um indivíduo desagradável, ou um adjetivo que nos remeta para algo inconveniente, ou mesmo maçador. No Sporting, o adjetivo chato assume várias gradações, na minha opinião todas erradas. Para um ex. presidente, uma invasão (é disso que se trata) de uma academia de futebol era algo chato. Para outro, mais recentemente, uma derrota por cinco a zero era algo para um tipo ficar chateado.

Não percebo a razão da chatice. Mas percebo que poderá existir alguma inquietação nas derrotas. Estar preocupado implica questionar as razões da inquietação. Tentar perceber se existe algum problema. Não é uma preocupação de maior estar preocupado com o seu trabalho, seja ele qual for. Não revela idiotia, questionar se existe algum problema de saúde em alguma situação desconfortável de alguém com o seu corpo. Numa empresa, quem dirige preocupa-se em fazer mais e melhor e em recuperar resultados menos positivos.

A não preocupação tem uma hierarquia que poderá redundar em desleixo. Uma derrota, mesmo por cinco não é o fim do mundo, mas não se traduz apenas (supostamente) numa semana má (pois não senhor Keizer?). Uma semana má é o prato do dia de quem trabalha. E mesmo quem não trabalha tem as suas semanas más. Recentemente experimentei jogar uma raspadinha, não saiu nada, fiquei chateado, mas não preocupado. Deveria?

Os resultados do Sporting (incluindo o de hoje com um golo sofrido de bradar aos céus) são reveladores. Entre oficiais e oficiosos e a feijões que seja, nada escapa, desde a época passada que não ganhamos um jogo. Não é caso para ficarmos preocupados? Bem, pelo menos, aborrecidos. Mas posso arranjar outros sinónimos. A sério que posso. Estou aborrecido. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Por outros cantos (do Morais)

O Pedro Azevedo, simpaticamente, lembrou-se de mim para escrever um texto, em jeito de testemunho, depoimento, sobre as nossas relações de afetividade com o Sporting. O “post” tem uma componente mais pessoal e intimista, mas também procura ser o retrato de um tempo, do tempo que me foi dado viver e à minha geração. Existem umas referências históricas e culturais. Enviei “link” a vários amigos e amigas e foi muito divertido obter respostas sobre a música e o que ela significava e ainda significa para nós. 

Podem lê-lo aqui. Não sei se mereço, mas o Pedro Azevedo merece seguramente.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Keizerismo - Peseirismo

Rasgar as vestes ou o cartão e culpar o Varandas ou o Keizer desopila mas não gera qualquer entendimento útil sobre o que ontem se passou. Sem esse entendimento, estamos condenados ao Mito de Sísifo e a carregar o sportinguismo montanha acima para o ver despencar-se uma e outra vez. Vou lendo e ouvindo que os jogadores do Benfica são muito melhores. Arrisco-me a dizer que se se trocassem as camisolas, estaríamos a dizer o mesmo. O Coates é muito pior do que o Ferro, o Mathieu do que o Rúben Dias e o Acuña do que o Grimaldo? 

A fanfarronice do Bruno Lage ia-lhe saindo cara. Não sei se previu ou não previu, mas o sistema dos três centrais surpreendeu-o num primeiro momento e não se viu a perder por sorte (e competência do seu guarda-redes). Mas o que também foi evidente é que o nosso plano era o de surpreender o adversário e, acabada a surpresa, não havia muito mais. Este sistema de três centrais não é igual ao da época passada, pois os jogadores não são exatamente os mesmos. É diferente jogar com o Borja do lado esquerdo ou com o Mathieu. Tirou-se do meio o jogador mais inteligente e mais capaz de dobrar os seus colegas e de sair a jogar ao mesmo tempo que se o obrigava a estar com um olho no burro e outro no Acuña, acautelando as suas subidas. Para equilibrar a equipa, o Bruno Fernandes tem de se posicionar mais à esquerda, com responsabilidades defensivas acrescidas e ficando distante dos locais onde pode fazer a diferença, nomeadamente aproveitando um ressalto ou saindo a jogar com mais opções de passe. 

Mal os jogadores do Benfica deixaram de pressionar à maluca os centrais, o Sporting teve as habituais dificuldades de saída da bola para o ataque. Com três centrais sem especial pressão, esperava-se que saíssem mais a jogar, de forma a surpreender o adversário. De outra forma, os médios ficam em inferioridade para receber a bola e a passar ou sair a jogar. Em contrapartida, a equipa continua a não pressionar alto ou a fazê-lo de forma desconfiada e a desistir à primeira. Jogando nas transições ou no erro do adversário, o Bas Dost é um jogador a mais. Não se lhe pode pedir que seja um pino na frente porque o que ele dá à equipa são movimentações de ataque à bola para finalização e nisso é muito bom, como todos sabemos. 

Na primeira parte, o Sporting controlou os acontecimentos, teve mais oportunidades de golo mas acabou por ficar em desvantagem, num lance revelador das suas fragilidades defensivas, dispondo de cinco defesas e de dois médios à sua frente. O Wendell deu todo o espaço e tempo necessários ao Pizzi para meter a bola nas costas da defesa, o Neto não encostou ao Seferovic, o Thierry Correia calculou mal a trajetória e tentou fechar por dentro, o Renan Ribeiro não deu um passo em frente para encurtar o ângulo e o Rafa acertou de primeira com a canela e colocou o Benfica na frente. 

No início da segunda parte, ainda parecia que podíamos dar a volta, mas, a partir do momento em que o Bruno Fernandes levou uma pancada e passou a coxear, era uma questão de tempo até tudo se desmoronar. Não consigo dizer que no segundo golo a culpa é do Mathieu, dado que o Coates não aliviou e foi-se embrulhar com ele, deixando-lhe a bola sem querer e com ele parado à espera de tudo menos daquilo. O terceiro começa numa falta escusada do Coates seguida de um remate em que o Renan Ribeiro parece mal batido. O quarto é revelador do estoiro da equipa, sem ninguém a acompanhar o Pizzi que em movimento e de frente para a baliza fez o que quis. O quinto não aconteceu antes por acaso e demonstrou a excelente capacidade de reação do Borja. 

Há jogos como este, acontecem. Mas temos de analisar o que aconteceu em perspetiva, no tempo longo. Há anos que o Sporting não revela andamento para os noventa minutos quando joga com equipas melhores. Vem pelo menos do tempo do Jorge Jesus. As razões podem ser de vária ordem, táticas, físicas ou de qualidade dos jogadores, mas o que impressiona é andarmos nisto há anos. Os jogadores parecem estar sempre muito distantes uns dos outros. O meio-campo acaba sempre em desvantagem e os adversários aparecem de frente para a defesa com esta às arrecuas. A partir de certa altura, há uns jogadores que deixam ou de recuar ou de avançar, partindo-se a equipa. Não se consegue jogar em ataque continuado ou quando acontece é mais permitido do que conquistado. Os jogadores são sempre os mesmos e jogam até cair para o lado, não se compreendendo as contratações enquanto efetivas alternativas para o treinador. Os golos resultam de acasos e do virtuosismo dos melhores jogadores e muito pouco do envolvimento coletivo. 

Contrariamente ao que afirmou Frederico Varandas, há razões para desconfiar da estrutura e do que anda a fazer. O resultado de ontem tem uma componente que pode ser explicada pelo acaso que um jogo sempre envolve. No entanto, nada do diagnóstico do jogo é, propriamente, novidade. A equipa e o seu modelo de jogo não dão sinais de melhoria. Os jogadores são sempre os mesmos. A aposta é nos jovens e no “scouting” e depois essa aposta não tem reflexos na equipa principal. O treinador foi escolhido porque dispunha de perfil necessário para dar resposta a estas apostas e melhorar o nosso jogo. Quem conhece o futebol português e os seus contornos, não espera títulos, a não ser muito esporádicos. O que legitimamente se espera é valorização de jovens jogadores e bom futebol. Se não se corresponde a essa expetativa, então o Peseiro servia, desde que devidamente equipado com uma pata de coelho.

terça-feira, 30 de julho de 2019

“O Golas”

Vi o jogo contra o Valência, na apresentação da equipa do Sporting aos adeptos e sócios, disputando o Troféu dos Cinco Violinos. Repetiu-se a tática contra o Liverpool com alterações pontuais de alguns jogadores: jogou o Bas Dost em vez do Luiz Phellype, o Coates em vez do Neto e o Thierry Correia em vez do Ilori. As alterações justificam-se pela maior qualidade relativa dos, agora, titulares. Continuou, assim, a aposta no Bruno Fernandes do lado esquerdo, esperando-se que estivesse no local certo sempre que necessário, independente de ser à direita, ao meio, à esquerda, atrás ou à frente, enquanto se procurava encaixar o Vietto no meio. À falta de melhores alternativas, o Bruno Fernandes tem a prorrogativa de fazer passes de trinta metros, sobrevoando a defesa contrária à procura do Raphinha e foi assim que se chegou ao golo, concluindo-se este movimento com um remate de primeira de Bas Dost que nem hipóteses de reação permitiu ao guarda-redes. 

O avanço do Doumbia, quando dispúnhamos da posse de bola, originou bons momentos de controlo de bola no ataque, que foi sempre muito móvel, mas que não dispõe no Bas Dost o jogador ideal para este efeito, dado nem sempre recuar para tabelar entrelinhas ou se deslocar em desmarcações para abrir espaço para entrada de trás. Os seus movimentos são na linha de fora-de-jogo, na tentativa de estar no sítio certo à hora certa para finalizar. O resultado foi uma boa primeira parte mas em que nos limitámos a fazer cócegas em vários períodos de tempo. A defender, não estivemos mal, com exceção das bolas paradas, repetindo-se os sustos do jogo contra o Liverpool. Cada bola metida ao segundo poste originava um “Nossa Senhora nos acuda”, com a equipa do Sporting em desvantagem numérica e sem o Borja perceber que deve fazer como os adversários e saltar para cabecear. Levámos um golo como se estivéssemos numa peladinha e não aconteceram mais desgraças por mero acaso e falta de pontaria dos calmeirões do Valência. 

A organização deste jogo tinha como objetivo preparar a equipa do Sporting. Aparentemente, também tinha como objetivo preparar os árbitros para o campeonato que está a chegar. Foi evidente que os árbitros estão numa fase mais avançada de preparação da temporada do que a equipa do Sporting. Na primeira parte, o livre à entrada da área por suposta falta do Doumbia constituiu o primeiro aviso. Na segunda parte, o árbitro não foi de modas e assinalou “penalty” por outra suposta falta do Mathieu, quando, na melhor das hipóteses, o Coates terá chocado com o jogador do Valência. O Renan Ribeiro defendeu e assim se perpetua o mito que faz com que entremos no jogo da Supertaça sem necessidade de ganhar durante o tempo normal. Na tropa, a uma organização destas, chama-se treino com fogo real. Este contexto real acentuou-se com as repetições da SporTv, ignorando-se olimpicamente os lances mais controversos a nosso favor e não sendo esclarecedoras nos lances a favor do adversário. 

E o Valência acabou por chegar ao dois a um, num lance em que o Coates sai a jogar à Beckenbauer e perde a posição, o lançamento do Bruno Fernandes é intercetado pelo adversário que de imediato mete a bola nas costas da defesa, onde aparece um avançado a passar para o meio para outro encostar. As repetições não permitiram verificar se o primeiro jogador estava em fora-de-jogo, mas, seja como for, em situação de fogo real o Mathieu teria chegado a tempo, não permitindo que a bola entrasse no meio. Entretanto, começaram as substituições. Percebemos que existem os primeiros, os segundos e os terceiros substitutos. Os primeiros são o Acuña, o Luis Neto, o Luiz Phellype e o Diaby. Os segundos são o Tiago Ilori e o Eduardo. Os terceiros são o Miguel Luís, o Eduardo Quaresma, o Daniel Bragança e o Gonzalo Plata. 

Estamos habituados a tudo e a todos os resultados (há uns anos atrás, com o Domingos, levámos três do Valência na apresentação da equipa). Mas, como inteligentes que somos, gostamos de perceber o que nos é dado observar. Por muita reflexão que possamos fazer, ninguém compreende a posição ocupada pelo Diaby na hierarquia da equipa. Ficámos a saber que umas golas de proteção contra incêndios afinal são inflamáveis. Porventura, não são golas com esse fim, mas destinadas promover a saúde pública, reduzindo-se o número de fumadores e combatendo-se o tabagismo. É sempre possível encontrar uma explicação para o que aparentemente não tem. Por mais criativa que seja, é importante que nos encontrem a razão para o Diaby continuar não só na equipa como a constituir uma das principais alternativas aos titulares, em detrimento do Camacho, do Gonzalo Plata ou do Jovane. Ou o Marcel Keizer arranja uma explicação ou passará a ser mais um das golas.

domingo, 28 de julho de 2019

Alguns violinos e muito bombo


Estes jogos valem o que valem, o mesmo quer dizer que um chavão vale um chavão. Podíamos, sem esforço, reforçar o chavão das bolas paradas, a emperrada dinâmica (é assim que se diz) defensiva, com jogadores ainda a banhos (Coates) e outros que dificilmente serão os titulares. Borja vale o que vale, Correia valerá o que se verá (e espera-se muito), Acuña ainda vai valer muito dinheiro (este ano?), Ristovski ainda está em banho-maria, assim como a grande esperança Rosier (quando joga afinal?). Doumbia é um seis muito jeitoso (como se diz na minha terra), Eduardo ainda está a mudar o equipamento de azul para verde (não é mesma coisa, pois não?), Battaglia continua a sua batalha para debelar a lesão, lá longe, provavelmente aguardando mais um aumento por serviços prestados à comunidade.

O problema é que hoje em dia tudo é visto e revisto, os jogos passam todos em directo e a cores, entre transferências e outras miudezas devidamente dissecadas nas tascas e arredores. Não é como anos atrás quando eu e o meu pai deixávamos a praia para ver o único jogo televisionado do defeso. As coisas eram mais imaginadas e vividas no descanso das férias, o defeso eram uns jornais e a alegre cavaqueira das sardinhadas. Tudo isso hoje se esfumou num defeso ditado pelo mercado, longo e apropriado ao mister da indústria que nele se sustenta e vive.

Entramos bem, a tratar a bola com o carinho que merece, com jogadas fluídas e um grande golo. Perdão, uma grande jogada mais uma vez com o pé do Bruno Fernandes, assistência do Raphinha (podes fazer muito mais, meu caro) e um grande golo do Bas Dost. Um golo com cheirinho a Fernandes, cheirinho esse que habita o campo todo, confundindo-se com a própria equipa que tanto dele depende. Será? Basta observar como O Wendel se sente bem ao inalar esse aroma a Fernandes, contagiando até o Vietto que só não marcou por estar dele demasiado inebriado. Sofremos um golo de bola parada mas já com ela em andamento. Mas não para nós.  

Na segunda parte com ou sem penálti, as equipas começaram a juntar os trapos todos, umas vezes bem outras assim assim. Sofremos um golo num momento que vale o que vale: uma transição ofensiva deles que foi obsequiada pela nossa dinâmica defensiva. O Fernandes tentou o golo umas cinquenta vezes e merecia-o. Os outros talvez não merecessem tanto. Não estava lá o Peyroteo. Ele sabia como se fazia. Os outros violinos também. Tudo isto vale o que vale.