quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

E agora?...

Até nós, que não sabemos nada disto, tínhamos percebido há muito os problemas da equipa. Tínhamos percebido que o treinador tinha feito o diagnóstico bem feito. Depois de se ter contratado quem se contratou, também não valia a pena chorar sobre o leite derramado. Importava encontrar soluções no contexto dos constrangimentos existentes. Competia ao treinador encontrá-las. Não as encontrou. Espera-se pela próxima época?...

domingo, 15 de janeiro de 2017

blá blá blá

Fiz um esforço hercúleo para não escrever nada sobre o jogo de ontem com o Chaves. A razão é óbvia: nada de novo. Quer dizer, nada para além de um blá blá blá que já nos irrita. Entramos no jogo sabendo do resultado do nosso rival que nos proporcionava uma hipotética aproximação, e nem isso nos deu um alento extra. Papámos um golo logo no início e continuamos a remoer a coisa a passo de caracol, cujo rasto é reconhecido a milhares de quilómetros. Um jogo mastigado e regurgitado como se de uma gravação se tratasse. Ainda assim marcámos através do suspeito do costume.

Com a barriga a dar horas, acreditei piamente numa segunda parte de estoiro. E assim foi… mas para a minha barriga. O distraído Semedo lá encaixou mais uma expulsão e assim lá pudemos sorrir da nossa desventura marcando um golo (outra vez) através do suspeito do costume. Duas ou três oportunidades e dois golos. Nada mau. A não ser, talvez, o desmaio colectivo que nos assalta seja com frio, seja com um sol caloroso, nunca nada está ganho.

Não vale a pena dissecar mais o cadáver. Os jogadores, se a minha alma não me engana, já não estão ali para ser um prolongamento do treinador. Treinar a dor… nós lá vamos conseguindo, para parafrasear esse génio da bola chamado Abel Xavier. Mas ficarmos ligados a esta máquina começa a ser penoso. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma chatice pegada

Desta vez, parecia ser diferente. Na sequência de uma tabela entre o Bruno César e o Joel Campbell, o Bas Dost aparece a empurrar a bola para o um a zero. Uma dezena de minutos depois, mais um passe para as costas da defesa e o Bas Dost volta a empurrar a bola para o golo. Ainda não se tinha chegado a meio da primeira parte e o jogo parecia resolvido. Esperavam-se mais golos e elevada nota artística, se possível.

Até ao final da primeira parte, continuámos a jogar razoavelmente. Só que, entretanto, um jogador do Feirense enfiou uma biqueirada na cabeça do Adrien. Teve que entrar o Elias. É um filme que conhecemos de cor e salteado. O homem não ataca nem defende. Como o Ruiz não anda para trás, no meio-campo, ficou o William Carvalho contra o resto do mundo. A partir desse momento, a defesa entrou em modo de sobressalto permanente.

A segunda parte foi um suplício. Ficámos na dúvida. Não sabíamos se devíamos marcar mais um ou se devíamos gerir o resultado. Perdemos o controlo do jogo. Não conseguíamos pressionar a defesa e a saída da bola do Feirense e não defendíamos de forma compacta. O Feirense começou a trocar a bola no nosso meio-campo. Não fez nada de extraordinário, mas ainda fez o suficiente para nos marcar um golo (com metade da equipa do Sporting a ver jogar).

Até ao final do jogo, vivemos com o coração nas mãos. O Bryan Ruiz teimava em concluir as jogadas em grande estilo. Ou acabava a passar a bola ao guarda-redes, ou tentava um chapéu ou um qualquer centro envolvendo um toque na bola completamente improvável. A nossa defesa também não nos dava descanso. O Beto ainda ofereceu um golo ao adversário, mas acabou tudo em bem: num livre e numa biqueirada para as nuvens.

Queremos continuar a jogar com a equipa subida, mas não se pressiona suficientemente o adversário quando se perde a bola. Sem pressão e com o meio-campo em desvantagem, os adversários podem sair a jogar e têm umas dezenas de metros nas costas da defesa do Sporting para explorar. No ataque, continua-se a complicar. Complica-se porque há jogadores que só complicam e porque se continua a querer marcar golos de forma complicada, depois de um “tiki-taka” entediante. Assim, os jogos do Sporting estão a ficar aborrecidos, chatos mesmo. Não se trata somente de jogar bem ou de jogar mal. As coisas simplesmente não funcionam. Os jogadores já o perceberam e os adeptos também. Quando assim é, começa a faltar ânimo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O carteiro toca sempre duas vezes

O carteiro, às vezes, tarda, mas não falha. O melhor é começar pelo fim: aos 94m de jogo o carteiro vê uma brecha, olha para o auxiliar, e consegue finalmente entregar a missiva. Está entregue, deve ter pensado, amanhã certamente que toda a gente vai reconhecer que os carteiros e seus auxiliares são humanos. A nossa humanidade tem limites, senhores carteiros, e a nossa paciência nem sempre acompanha a prima humanidade.

Antes de o carteiro ter entregado a correspondência em conformidade com as suas ordens superiores já o Sporting nos tinha enganado relativamente à sua entrada em jogo. Uma primeira parte, da qual apenas vi parte, para esquecer, ou melhor, para lembrar, embora o filma seja o habitual. À habitual previsibilidade, esta equipa, junta, por vezes, uma morrinha que nos adormece por dá cá aquela palha. Fosse apenas isso e lá deixávamos de tomar o angelicalm, mas não, a isso ainda junta com elevada crueldade, uma tendência para se dispor no terreno como uma manta de retalhos. O Ruiz andou mesmo por ali? O Markovic, segundo o presidente não tarda a explodir, esperemos que o faça com a qualidade aqui demonstrada, mas noutro lado, se não se importam.  

A segunda parte foi a história da nossa vida este ano: correr atrás do prejuízo, metendo a carne toda no assador. De resto, o costume, o Elias enganou-se, o André jura que ainda há-de conseguir introduzir bolas dentro da baliza fora dos treinos, o Douglas demonstra uma tendência inata para javardar e comer uma boa feijoada. Restam os suspeitos do costume. E o carteiro até disse ao Coates que a razão da sua carta tinha sido ele. O Coates, coitado, não tarda, quer mas é regressar ao sossego do Uruguai…